sexta-feira, 16 de outubro de 2015

FAZ 30 ANOS QUE TONINHO MARTINS NOS DEIXOU

Toninho Martins, ou Toninho Feijão, como era conhecido, foi um grande piloto brasiliense que fez sucesso no final dos anos sessenta e anos 70, e tornou-se bastante conhecida, a parceria que ele fazia com um outro grande piloto brasiliense, o Ênio Garcia. A bordo do Fusca nº 12, a dupla ganhava quase tudo nos circuitos de ruas de Brasília, Goiânia e Anápolis, além de provas fora do Distrito Federal, como as 500 milhas da Guanabara, de 1968, quando chegaram na segunda colocação, derrotando as maiores equipes e carros de nível nacional e muito mais potentes.

Com a construção do protótipo Elgar GT 104, uma das duas unidades, a de nº 12, ficou com o Toninho Martins e Ênio Garcia, e o outro carro, o de nº 11, ficou com a dupla Waldir Lomazzi e Paulo Guaraciaba. Com este carro, ele obteve a única vitória do belo protótipo brasiliense nos 500 quilômetros de Brasília de 69, desta vez, fazendo dupla com o piloto Luis Claudio Nasser.

Correu aqui em Brasília e Goiânia com o "Fitti Porsche", quando passou a utilizar a mecanização VW, se destacando também com Opala e outros carros, sempre com a sua tocada muito técnica e consistente.

Toninho Martins, soube, como poucos, viver intensamente a sua vida, e era um cara de caráter, amigo dos seus amigos, e de um coração imenso, como constatado com várias pessoas que conversei.

Abaixo, depoimentos do filho de Toninho Martins, Marcos Delessandro  Martins Joaquim Lopes, do Blog do Mestre Joca  e muitas fotos da carreira deste piloto.

Toninho Martins, por MARCOS DELESSANDRO, seu filho.

"No dia 04 de Dezembro de 1933, nascia na cidade do RIO De Janeiro, então capital federal, no bairro de Botafogo, Antônio Martins Filho, primogênito de um casal de portugueses, Senhor Antônio Martins e dona Hermínia dos Santos Martins, vindos do velho continente, ao fim da primeira guerra mundial, tentar reconstruir suas vidas no Brasil, mais precisamente no estado da Guanabara.
 
Seu pai logo prosperou no país em que havia escolhido para viver e formar família com sua jovem esposa, após alguns anos de trabalho duro e com algumas economias com as quais aportara no Rio De Janeiro-DF, tornou-se sócio de uma grande vinícula, composta de fazendas produtoras de uvas em Poços De Caldas-MG e armazém no cais do porto do Rio. Constituiu família com dois filhos, o mais velho que veio a ter seu nome e uma moça mais nova.
 
Mesmo tendo uma situação financeira privilegiada, seu Antônio jamais dera vida de rei ao filho, fazendo com que desde sedo trabalhasse por conta e ganhasse seu próprio “sustento” para poder ter como se divertir com os amigos, dando uma criação rígida ao filho homem, o que mais tarde, recém tornado adulto, veio fazer toda diferença em sua vida, já que Antônio Martins (pai) veio a falecer de câncer e seu sócio, aproveitando-se da situação, fez com que sua viúva assinasse uma série de documentos, sem saber que estava passando tudo para o nome do sujeito e ficando na penúria com seus dois filhos.
 
Foi então, que Antônio Martins Filho, já casado, veio para a nova capital federal, Brasília, em 1960, chegando aqui como mais um pioneiro que apostou tudo o que tinha e o que não tinha no sonho de Juscelino Kubitschek, trabalhava durante o dia e estudava Direito no Ceub durante á noite, em busca de dias melhores para sua esposa e seus 3 filhos, Oswaldo Leonardo, Antônio Carlos e Marcos Delessandro, todos nascidos no planalto central e tal como seu pai, em poucos anos alcançou sucesso pessoal e profissional em sua empreitada.
 
Neste momento, em meados da década de 60, a pessoa de Antônio Martins Filho, passa a se fazer conhecer por “Toninho Martins”, “Toninho do Cartório de Protesto” e ou “Toninho Feijão” entre os grandes amigos e principalmente na comunidade de jovens pilotos, apaixonados por carros, verdadeiros ases que arriscavam suas vidas e davam grandes espetáculos nas primeiras provas e competições oficiais que aconteciam nos circuitos de ruas da nova e inacabada Brasília. Foi nesta época que veio a conhecer seu grande parceiro de vida ou como ele mesmo costumava dizer, “ O irmão que Deus me deu”, uma amizade tão forte e tão sincera que muitas vezes nem mesmo laços de sangue são capazes de produzir de forma tão recíproca, estamos aqui nos referindo a Ênio Lourenço Garcia.
 
Com o “irmão” Ênio e colaboração de outros grandes amigos, como Seu Waldir Lomazzi, os irmãos Nasser.
 
Luís Cláudio e Roberto e apoio do amigo Osório Adriano do grupo Brasal, veio a produzir o ELGAR-GT 104, um esporte protótipo com  mecânica WV 1.6 que tanto encantou não só os brasilienses mas todos pelos circuitos por onde passava, sua aerodinâmica era uma mistura de Porsche com Ferrari, um carro á frente de seu tempo, um dos grandes orgulhos do automobilismo da capital federal. Campeão brasileiro na categoria força livre a bordo de um Renault em parceria com o amigo Ernani Roberto.
 Toninho Martins e Ênio Garcia nas 500 milhas do Rio de 68.  Chegaram na segunda colocação.

1968, ano da proeza de ter terminado em segundo lugar as 500 milhas da Guanabara com um Fusca 1600, já ao lado de Ênio Garcia, sendo “superado” apenas por uma Bmw e em seguida, no mesmo ano, venceram com o mesmo carro, os 500 Km de Brasília.  
 
Já em 1969, pilotando seu ELGAR-GT, fazendo dupla com então amigo, Luiz Cláudio Nasser, cruzou a linha de chegada dos 500 Km de Brasília, sagrando-se bicampeão da prova.
 
Recebendo a bandeirada da vitória dos 500 km de 69
Toninho e Luiz Claudio Nasser e Tião, chefe da equipe Brasal, após a vitória nos 500 km de Brasília em 69 a bordo do Elgar GT 104.

Toninho Martins fez grandes amigos, dentro e fora das pistas, era um sério, porém aberto á ajudar quem dele precisasse, não fazia distinção de cor, credo ou classe social, era um boêmio inveterado e até engraçado, pois, suas noites ao lado dos amigos eram regadas a guaraná ou suco de laranja, porém, sempre um bom papo e ótima companhia. Ao ter sua vida ceifada na noite de 07 de Outubro de 1985, em uma das poucas retas da BR 262, no trecho de Matipó-MG, vítima de um acidente estúpido provocado por jovens alcoolizados ao volante vindo em sentido contrário, mais que dinheiro, ou patrimônio pecuniário, deixou como seu maior legado a história de um homem honrado, bom marido, pai que amava e ainda é, extremamente amado por seus filhos e um amigo que mesmo 30 anos depois de sua partida é capaz de fazer brotar causos e casos de cada uma das pessoas que de algum forma conviveram com ele, num clara demonstração de que sua vida ainda que curta, foi bem vivida e tirando a dor da saudade, não temos nada a reclamar a Deus por ter nos abençoado em tê-lo conosco pelo tempo que nos foi permitido. Antônio Martins filho, Toninho Martins, Toninho do Cartório de protesto, Toninho feijão a saudade é grande, mas, maior é o orgulho que cada um de nós sentimos de ti.
 
Marcos Delessandro S.Martins"

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Toninho Martins, por JOAQUIM LOPES, do Blog do Mestre Joca, um dos maiores conhecedores de automobilismo antigo do Brasil.

"Anápolis, Goiás,  28 de julho de 1968. Um domingo, data que jamais esquecerei. Ali começou minha vida de aprendiz de feiticeiro ou quando me apaixonei de vez pelas corridas de automóveis. Os responsáveis, dois senhores, um mais alto e de cabelos grisalhos que mais tarde eu descobriria ser o Ênio Garcia. O outro, mais baixo e forte, seu parceiro costumeiro, Toninho Martins. Os dois, debaixo da minha janela, me acordaram ao acionar o motor daquele que seria também um ícone do automobilismo do Planalto central: o famoso fusca 12 da Cascão/Brasal. Eu não sabia, mas ali eu presenciava um dos mais emocionantes capítulos da nossa história automobilística.


 
Enio Garcia venceu aquela corrida nas ruas de Anápolis. E, se a memória não me trai, o Toninho chegou em segundo, com outro fusca da equipe. E  o vírus do automobilismo me contagiara para sempre e eu iniciaria, do alto dos meu quinze anos, minha peregrinação atrás das corridas. Eu os reencontraria nos 500 Km de Salvador, corrida complicada que acabaria na delegacia de polícia, devido a um imbróglio dos fuscas de Brasilia e o Puma da equipe baiana AF. As coisas voltariam ao normal com a dupla Ênio/Toninho vencendo os 500 de Brasilia, se afirmando como os melhores pilotos do Planalto naquela época.
Aos meus olhos a consagração definitiva da dupla se daria nos 300 Km de Goiânia quando, numa corrida épica derrotaram no circuito de rua da Av. Assis Chateaubriand, a favoritíssima BMW Alpina dos paulistas Maks Weiser/Emerson Maluf. À distância, acompanhei ansioso pelos jornais e revistas as performances irrepreensíveis da minha dupla de pilotos predileta nas suas aventuras em Jacarepaguá: segundo na geral nas 500 Milhas do Rio, sétimo na prova Levy Dias, fechando com um quinto nos mil Km da Guanabara. Coisa de gente grande.
Veio 1969 e o fusca foi transformado no belíssimo protótipo Elgar Gt104. Estreia discretanos Mil Km de Brasilia, cheia de problemas, como é natural em carros novos. Toninho Martins foi poupado da tragédia das 200 Milhas de Anápolis onde, por infelicidade, Enio Garcia saiu da pista, atingindo e matando alguns assistentes. Mas a dupla se reuniria nos 500 Km de Salvador, onde frente à fenomenal Alfa P33 e o rolo compressor das Alfas GTA o Elgar não pode ir além de um décimo na geral. Já nas 100 Milhas da Independência em  belo Horizonte, tocando sozinho seu Elgar, Toninho Martins conseguiu um bravo quinto lugar.

O Elgar de Ênio após o acidente descrito acima em 69 em Anápolis.
 
E o grande momento do Elgar viria a seguir nos 500 Km de Brasilia onde, em dupla com Luis Claudio Nasser que substituira às pressas Enio Garcia, Toninho Martins vencia de maneira inquestionável. Daí a dupla Enio/Toninho se reuniria de novo no GP do Ceará, onde lavraram um nono lugar enfrentando os melhores carros do Brasil. Com Carlito Maia a bordo do segundo Elgar, Toninho Martinsfez um quarto na geral nas 200 Milhas de Brasilia e voltaria a fazer dupla com Enio Garcia nos Mil Km da Guanabara. Em meio a Lola T-70, Ford Gt40, Alfa P33, Fusca Fittipaldi Bimotor e alguns dos melhores protótipos nacionais, a dupla conduziu com eficiência o Elgar a 5º. Na geral e 3º.  Na categoria protótipo.
Veio ao ano de 1970, os regulamentos mudaram, foi criada a Divisão 4. Já meio superado o Elgar foi mal nos 1500 Km de Interlagos, prova corrida em dupla com Carlito Maia. Com a proibição das corridas de rua em Brasilia, Toninho marcaria pouca presença nas pistas este ano: em outubro participaria com um VW 4 portas nos 100 Km de Goiânia e convidado pela fábrica correu duas provas do Torneio Corcel em Interlagos e Jacarepaguá, sem resultados expressivos. Em 1971, mais duas provas com o Elgar Gt104  em dupla com Carlos Alberto Braz, uma em Goiânia e outra em Anápolis, ambas com abandono.
Mas aí veio 1972 e a vida me levou para outros caminhos e perdi contato com o automobilismo do Planalto. Só vim a cruzar novamente com Toninho Martins em 1974 nos Mil Km de Brasilia, onde dividiu um Opala com Paulo César Lopes. E meu último contato foi na inauguração do autódromo de Goiânia, em prova da Divisão 4 quando reapareceu ao volante do antigo Fitti-Porsche renovado pela Auto Modelo.
Toninho Martins marcou época, não só por suas qualidades de piloto, mas pela coragem e pioneirismo nas pistas do Planalto Central, um tempo que os homens realizavam seus feitos com uma vontade de aço e a determinação dos verdadeiros apaixonados."  
Um presente especial para nosso amigo, diria, irmão, já que seu Chico tinha meu pai como uma espécie de filho e sempre o consideramos com muito amor e respeito...para você Luiz Augusto Landi, uma belíssima recordação de seu pai, esse sim, mentor, precursor e ídolo maior de toda uma geração, principalmente dos nossos "maiores campeões" ( entre aspas pois todos os reverenciavam e reverenciam, inclusive o imortal Ayrton Senna) mundiais de formula 1.
Ênio e Toninho em Anápolis em 1968
Em Salvador Bahia em 1968
500 km de Brasília de 1969. Luis Claudio Nasser, Toninho, jornalista José Natal eTião
500 Km de 69. Bronco, segurando o capacete, Ênio, Toninho, Tião e José Natal.
Mil Km de 1969. Toninho e Ênio \|Garcia.

Autorização dada pelo Detran/DF para o Elgar  transitar com as características alteradas para teste de produção, sem documentação, válida em todo o território nacional.
Opala Toninho na Copa Planalto de 1974
Brasília em 1974
Toninho e o Fitti Volks na inauguração do autódromo goiano em 1974.
Toninho nos 500 km de Goiânia de 1975
Toninho com Marcos Veiga Jardim (à sua direita) e Paulinho Guaraciaba nos 200 km de Goiânia de 1975.
Toninho e Ênio em Anápolis em 1968.
O famoso fusca Brasal de Toninho/Ênio acelerando em Salvador
Luis Claudio Nasser e Toninho na vitória dos 500 km de Brasília de 1969.
Toninho com o Fitti Volks no autódromo de Brasília em 1974
Toninho  com o Fitti Volks em Brasília em 1974.
Toninho e Ênio no GP do Nordeste ou 500 Km de Fortaleza de 1969.

500 milhas da Guanabara de 68, por JOVINO BENEVENUTO COELHO, seu admirador e blogueiro.
 
Estamos em 1968. O automobilismo brasiliense já é muito forte e um grupo de pilotos e mecânicos preparam os seus bólidos de corridas para disputar as 500 milhas do Rio de Janeiro daquele ano.
 
Naquela época, o automobilismo não era tão profissional e muitos pilotos e equipes colocavam os seus próprios carros de corridas nas estradas e enfrentavam mais de 1000 km para disputar uma prova.
 
Nas 500 milhas do Rio de Janeiro de 1868 estariam as melhores equipes brasileiras e um grupo de pilotos e mecânicos se juntaram para disputarem a referida prova.
 
Toninho Martins, piloto e "dono de Cartório", Carl Von Negri, piloto e "dono da Auto Modelo", uma oficina muito conhecida em Brasília naquela época e referência em preparar e construir carros de corridas e o mecânico Sebastião Roberto do Carmo ( o Tião), (que se uniriam no Rio de Janeiro à Ênio Garcia e Dirceu Bernardon), colocaram as tralhas dentro dos fusquinhas da equipe Cascão e  Von Negri e pegaram estrada rumo ao Rio de Janeiro.
 
O espírito aventureiro é o que prevalecia e a turma de apaixonados por velocidade faziam da viagem, pura diversão, consertando o carro quando ele pifava na estrada, parando ali num botequinho de beira de estrada e tomando umas e outras até chegar ao seu destino.
 
Segundo o próprio Von Negri, nesta corrida ele havia contraído uma gripe muito forte e estava até pensando em não correr, mas o Ênio Garcia ofereceu-lhe um "comprimidinho milagroso" para ele curar a gripe. E o alemão tomou o comprimidinho e se sentiu muito bem e andou como nunca. Fez uma ótima corrida chegando na terceira colocação. Mais tarde, muito depois, ficou sabendo que o tal "comprimidinho milagroso" era um tal de "arribite" muito usados naquela época pelos camioneiros em suas viagens para se manterem acordados, pois ele dava uma energia extra e ele fez a melhor corrida de sua vida. 

Os fusquinhas posando na Torre de TV antes de partir para mais uma prova. 
Uma parada estratégica para sanar algum problema no fusca da dupla Toninho Martins/Ênio Garcia e o bem humorado Von Negri posando para o retrato, isto, em pleno 1968, época de ditadura militar,  de direitos cassados, de Beatles, Rollings Stones e  de Roberto Carlos, da Jovem Guarda e os malucos brasilienses fazendo aquilo que eles mais gostavam. (Mas como o fusquinha do Von Negri era bonitinho!!!)
Na bucólica imagem da estrada afunilada para o Rio daquela época, o fusquinha solitariamente, como em "Easer Rider", se aventura para chegar ao seu destino.
Depois da missão quase impossível, eles posam para o retrato com os troféus da conquista na prova carioca.
 
Toninho faleceu em 07 de outubro de 1985 em um acidente de carro quando retornava de Guarapari, ES, para assumir o lugar do Tabelião Titular do Cartório, Pedro Teixeira, que havia sido eleito senador. Bateu de frente quando um carro dirigido por um menor de idade saiu de trás da traseira de um caminhão e invadiu a pista contrária, sem dar tempo de desviar. Morreram os dois.

 

 

5 comentários:

  1. Jovino,sem palavras, ficou tudo maravilhoso, linda matéria, irretocável e um carinho impagável por parte de ti...não há o que eu o minha família possa dizer ou fazer para expressar nossa gratidão. Grande abraço.

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  2. Não tem que agradecer Marcos, sou um eterno apaixonado pelo automobilismo daquela época, e, graças a Deus, tive a oportunidade de viver tudo aquilo e o tempo não é destruidor quando preservamos os nossos eternos ídolos. Jovino

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  3. Parabéns Jovino. Justa homenagem a nossos heróis, nossos ídolos e mestres. Muito do que sabemos devemos ao Ênio. Forjamos nosso espírito de luta e nosso carátes, naquelas noites do Hotel Nacional.
    Abraços a todos,
    Clecio Parreiras

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  4. Por: Jose Carlos Cantanhede​

    Falar do Toninho Feijão é escrever um livro, e com muitas páginas. O Zé Carlos Laquintinie, que é meu vizinho no Recreio RJ, é da época do começo das corridas em Brasília, conta como tudo começou. Tem muitas histórias desse começo. Algum tempo me contou que passando enfrente ao Edifício sede do BB no setor bancário sul, 1960, avistou 3 caras parados conversando e resolveu parar e se apresentar. Era Toninho, Enio e o Hugo Sola. Estavam decidindo onde iriam fazer um circuito para as corridas de automóvel em Brasília. Conversando com o Carlinhos Laquintinie temos que resgatar essas histórias.

    Toninho foi meu principal incentivador. Eu era como um mascote da turma do automobilismo aos 13, 14 anos. Viajava sempre com eles para as corridas de Goiânia, Anápolis, Inhumas, Rio de Janeiro. Minha primeira corrida foi em Inhumas como estreante, 1971, junto com Ruyter, Chaú, João Luis Serejo, entre tantos outros. Essa corrida me valeu um convite do Toninho pra guiar o outro Elgar junto com o Luis Antonio Barata que foi um grande amigo desde a infância pela amizade dos nossos pais que trabalharam juntos no Rio de Janeiro em um dos institutos criados pelo Getúlio Vargas.

    Depois, quando restaurou o FitiPorshe na Auto Modelo do Von Negri, ele e Paulinho Guaraciaba que eram sócios no carro, me convidaram para estrear o carro na corrida de BH. No caminho Toninho puxava a carretinha com um Dodge Dart branco e no maior cacete. Logo no começo da viagem, resultado, o cambão da carretinha quebrou e la foi o Fiti capotando com carreta e tudo. Minha estreia no Fiti foi por água abaixo. O carro estava simplesmente lindo, Von Negri sempre foi um artista.

    O AMOC do Escovão foi feito por ele e com resultados fantásticos em Sampa em dupla com o Alex Dias Ribeiro. Eu acompanhava todas as corridas como participante da Equipe Camber. Autódromo de Brasíila inaugurado em 1974 Toninho corria com um Opala Vinho 1974, novinho. Sofreu um acidente em Interlagos, recuperou o carro e novamente outro convite para eu guiar o carro.

    Esse foi o grande incentivo, a porta aberta patrocinada pelo meu grande amigo Toninho. No meio de mais de 20 Mavericks tivemos ótimos resultados em Brasília, 6 lugar, Goiânia onde chegamos andar em segundo atrás do Maverick do Jayme Silva e Toco. Faltavam 5 voltas e furou o pneu traseiro esquerdo. Voltei em 8 conseguindo chegar em 5. Acabava não guiando em função do meu desempenho.

    Os preparadores foram seu Chico Landi e o Renezão feiticeiro. Nos Mil km de BSB quando corri com Haroldão foi nosso chefe de equipe redigindo recurso porque chegamos em terceiro e colocaram o Edmar Ferreira na nossa frente. Vou parar por aqui senão, como escrevi, vai virar livro. Muitas lembranças e saudades do Toninho. Confesso que redigindo cheguei as lágrimas, não de tristeza mas de alegria por ter conhecido e convivido com um ser humano fantástico, maravilhoso, insubstituível. Obrigado Toninho, pela sua amizade, companheirismo e ter sido meu maior incentivador. Saudades

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  5. Muito boa matéria, parabéns, apenas uma pequena correção, a foto do fusca 12 onde diz que é Anápolis 68, é na verdade Salvador 500 km 1968.

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