quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

REMINISCÊNCIAS BRASILIENSES TREZENTOSEDOZEANAS - LUISINHO BOMBINHA

Começarei a publicar exporadicamente aqui no blog as minhas reminescênicas da 312 Norte, quadra que moramos durante quase 20 anos e que marcou muito a minha vida e de muitos amigos de lá.

Meu pai veio para Brasília em 1959 para trabalhar na construção da cidade e passava uma boa temporada aqui e depois retornava à Goiânia para passar uns dias com a família. 

Esta foi a sua rotina durante anos, até que em 1965 recebeu um apartamento popular, colocou toda mudança em um caminhão estilo "Pau de Arara" e mudamos para cá, eu com os meus 8 ou 9 anos de idade e mais 6 irmãos e minha mãe.

A turminha posou para o retrato antes de vir para Brasília lá em Goiânia: da esquerda para a direita embaixo, Eu, os irmãos: Marcia e o Tonho. atrás estão o Mirson, a Graça e o Marcio. Veja a cara de timidez de todos diante do retratista.
 
Quando chegamos à cidade, levei um baque, pois ela era totalmente diferente daquilo que conhecíamos e ainda um enorme canteiro de Obras.
 
O enorme canteiro de Obras. As máquinas trabalhando para a nova capital.
 
Passamos pela cidade livre (Candangolândia) e o que me impressionou logo de cara foram as casinhas dos primeiros candangos que vieram morar aqui, todas feitas de madeiras praticamente iguais e rumamos em direção ao eixão sul apreciando toda a sua modernidade com prédios com pilotis, novidade para a gente, os monumentos, uma catedral ainda no esqueleto e com avenidas largas com postes de iluminação sem nenhuma fiação exposta, pois elas eram aterradas e rumamos em direção à W3 Norte que tinha apenas alguns prédios na quadra 306 (quadra de militares) e a 312 norte, onde fomos morar.


A foto foi cedida pelo amigo Paulinho mostrando onde moravam na Avenida W 3 Norte no final dos anos 60.



Cidade Livre - Os futuros Candangos chegando para trabalharem na construção de Brasília

 
Não havia asfalto na W3 Norte e a referida avenida era toda atravessada por uma pista de barro empoeirada com sentidos opostos sem nenhuma divisão lógica, pois, a mão e contramão, eram imaginárias e democraticamente demarcada pelo bom senso dos motoristas e mais barracos de madeiras construídos hermeticamente com 1, 2 ou até 3 andares atravessando toda a sua extensão.
 
A Catedral ainda no esqueleto e que ficou assim durante muitos anos.
 
Chegamos a quadra onde iríamos morar, ainda sem asfalto e calçamento, o piso dos prédios não eram cimentados, mas eles tinham elevadores, outra novidade para a gente, pois morávamos em casa.
 
Assim era a quadra. Isto já nos anos 70 quando já tinha calçamento. No detalhe, a Vemaguet do meu pai.

Logo de cara, conhecemos os nossos primeiros amigos, uns cearenses com um vocabulário e sotaques estranhos daquilo que a gente falava, pois mandioca era macacheira para eles e foi assim descobrindo as diferenças de culturas e costumes que fomos fazendo amizades, com cariocas (para eles mandioca era Aipim), mineiros, paulistas, gaúchos, enfim, toda aquela missegenação de culturas deste pais continental se aventurando no cerradão goiano.

E foi justamente num destes barracos na W3 norte, que tempos depois, passamos a freqüentar e descobrimos que alguns deles estavam abandonados e nós os assumimos como a nossa segunda casa.

Numa destas nossas passadas por lá, achamos um baú enorme abandonado cheio de foguetes 3 tiros canhão, como eram conhecidos na época, e isto passou a ser a nossa maior diversão. 

Veja como eram os barracos que margeavam a avenida W 3 Norte no final dos anos 60 e início dos anos 70. Foi num destes que assumimos e pegamos um baú enorme cheio de bombas três tiros canhão
 
Pegamos os foguetes e começamos a soltá-los estrondando toda a quadra que morávamos. Alguns explodiam normalmente quando subiam no ar, mas outros começaram a dar problemas quando acendíamos o pavio e explodiam ali na mão da gente e a brincadeira passou a ser perigosa, pois passamos a correr riscos.

Então, na minha genialidade de moleque que tinha muita criatividade para fazer o que não prestava, criei uma técnica inovadora de fazer explodir os foguetes sem corrermos riscos de algum acidente sério.

Peguei saquinhos de leite Gogó usado (muito consumidos na época), o abríamos e desmontávamos os foguetes tirando as 3 bombinhas que tinham dentro deles, esgotávamos as pólvoras e as colocávamos no centro do saco de leite e uma pedra pontiaguda enorme era colocado no centro dele, o fechávamos e faziamos uma espécie de trouxinha.

A pedra ficava numa posição em cima da pólvora, que, quando, na minha teoria destrutiva, batesse com força do chão, explodiria.

Mas teríamos de fazer o teste para ver se a nossa invenção explosiva funcionava mesmo.

Numa bela noite, um bando de moleques malucos e sem ter o que fazer, escalamos o bloco “J”, prédio de 6 andares subindo pela lateral dele pelo cabo de aço do pára-raios (parecia Batman e Robim escalando prédios) até alcançarmos o 7º andar (terraço), isto lá pelas 23h.
 
O prédio que escalamos é este indicado acima. Repare na quantidade de carros.
No detalhe, o teto da Rural Oficial que o meu pai trabalhava, a sua Venaguete e a Kombi do meu irmão Marcio.

A quadra estava num silêncio ensurdecedor. Fizemos uma rápida e pequena vistoria aérea do local para ver se alguém estava nos vendo e atiramos o nosso projétil ecsosex ladeira abaixo. 
 
A bomba caiu exatamente ali entre os blocos H e J. No detalhe o Mercuty Eigt 41 do meu pai.
 
Demorou alguns pequenos e eternos segundos e explodiu maravilhosamente que ecoou em toda a quadra.

A experiência havia dado certo e todos os prédios naquela circunferência foram acordados e nós com medo da merda que acabávamos de fazer, começamos a correr em cima dos telhados de zinco até alcançarmos os cabos dos pára-raios e os descemos alucinadamente de medo.

Chegamos lá embaixo com a cara mais cínica do mundo como se não soubéssemos o que havia acontecido e vimos a consequência daquilo tudo.

Dois carros com vidros quebrados e estilhaços de vidros espalhados por todo canto, um monte de gente que começavam a descer dos seus apartamentos muito putos da vida e tentando descobrir que ataque repentino era aquele em pleno início de madrugada. Seria algum subversivo revoltado, já que estávamos em plena ditadura militar ou os próprios explodindo bancas de jornais!

Na nossa mente malandramente ingênua  não havíamos lembrado que já tínhamos soltado foguetes na própria quadra antes e alguns moradores começaram a desconficar da gente, mas nos disfarçamos como quem estivessem acordado com a explosão e fomos saindo de mansinho e fomos dormir.

Noutro dia, os comentários a respeito da explosão misteriosa formou pequenos grupinhos, cada um com sua teoria a respeito de quem teria feito tal atentado e o nosso nome ainda estava forte e ficamos quietinhos, cada um em seu apartamento esperando a coisa esfriar.

A turminha dos mais velhos. A gatíssima Gilka, paixão de muita gente na época, o Ardo, a minha irmã Graça depois de chegar do Projeto Rondon, e Joaquim e namorada Telma.
 
Até que o Luisinho, menino sério e que não matava aula como nós, que havia recebido a sua porção de foguetes e não sabia de nada do acontecido, começou a soltar os seus rojões em lugar seguro e aí a turma caiu em cima dele e só não foi trucidado porque o porteiro do bloco "A" interveio a seu favor afirmando que ele não havia descido naquela noite.

As explosões continuaram a acontecer e o pobre do Luisinho ficou com a fama  de Luisinho bombinha, só que agora, haviamos desenvolvido uma tecnologia bem mais apurada, pois passamos a usar o estilingue como base de lançamento das nossas bombinhas.

Pegávamos bolinhas de gude e fazíamos pequenas trouxinhas e as atirávamos nas residências das quadras inimigas, nas quadras 700 (que não gostavam de receberem a nossa turma em suas festinhas com os nossos discos de vinis de rock and roll a tira colo), isto, também, durante a noite, pois assim víamos o reflexo e o extrondo que ela produzia e alucinava a gente.


Olha aí a turminha de santinhos: Tio Ive, Ítalo, meu irmão Tonho, Pedrinho* e o Doda.
 
Na referida quadra 312 norte, considerada, na época, como a quadra mais populosa de Brasília tem um famoso Açougue Cultural, um cara que mora lá e que montou e colocou uma biblioteca lá dentro, onde seus clientes ou não pegam livros emprestados e os devolve posteriormente, mas sem exigência de nada.

Aqui a referida quadra nos anos 70. O meu irmão Marcio, Luisinho das Candangas (Cesarino ou Hulk), as minhas irmãs Marcia, Graça e o Luisinho, sentados nos para-lamas do fusquinha brabo preparado pela Camber.
 
É um cara que colocou mini bibliotecas por alguns pontos de ônibus da asa norte e o sistema é muito simples. Você pega os livros e os devolve quando bem entender e o processo funciona naturalmente e ninguém os rouba.

A turminha de Amigos no meio dos anos 70 no Bar Shop Chop na 312 Norte. Falcon, Nego, o meu irmão Tonho, o irmão Luisinho Ligação Direta Blues Band (será ele o menino terrível das bombinhas!!!) e o saudoso e grande amigo Pedrinho que está no andar de cima rindo das nossas aprontações juvenis.
 
Lá nesta entrequadra são realizadas Noites Culturais quando fecha-se o comercio da 312/313 norte e eles trazem artistas de renome nacional e local e recebem um público de mais de 5.000 pessoas, quando é realizado 2 vezes por ano.
E é lá que encontramos toda esta minha geração de amigos, que hoje estão aí pelos seus 50/60 anos e histórias e muitas recordações voltam à tona.
Ah!!! O Luisinho Bombinha hoje é um respeitado funcionário do Judiciário Brasileiro, toca Rock and Roll e Blues nas horas vagas e é pai de três belas meninas e nada lembra daquele “moleque endiabrado dos dourados e saudosos anos 70”.

Este Post foi inspirado numa história que o tricampeão Nelson Piquet nos contou sobre uma bombinha cabeça de negro em um certo colégio da asa sul.
* Dedico este post ao amigo querido Pedrinho e a todos os amigos desta quadra que marcaram bastante as nossas vidas quando moramos lá.

Fotos: algumas são de minha autoria e do Paulinho do Bloco "I" que morava no apt. 609, e outras captadas da Internet e só não identiquei os autores porque os desconheço.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

PÉ NA TÁBUA 2013 - A CORRIDA DE CALHAMBEQUES

Mais um Pé na Tábua realizado em Franca, São Paulo, com a participação na categoria Speed do Tri Campeão de Fórmula 1 Nelson Piquet.  
Os paulistas se prepararam durante todo o ano de 2012 para derrotar Piquet e seu Lincoln V8, mas ele também deu um trato no charutinho preparando o seu motor e instalando um conjunto de três carburadores, rebaixou a suspensão e fez escapamento dimensionado em aço inox saindo pela lateral esquerda da máquina.  
O resultado disto tudo é que o rendimento do Lincoln melhorou bastante, mas os seus adversários também.  
Veja como foi o evento da Corrida de Calhambeques que está a cada ano melhor e mais concorrido.  
As fotos e os vídeos são do correspondente Mocambiano para esta corrida, o meu amigo Nelson "Spielberg" Ormezano Barata.


A fera se preparando para a corrida
O caminhão Trailer com o Lincoln 
 Veja no que se transforma o caminhão Trailer. Dois andares e um visão panorâmmica privilegiada. O cara sabe viver muito bem a vida.
 Os amigos Nelsons: Piquet e Ormezano


 Edmundo Pururuca e Piquet. Repare que a camiseta tem a caricatura do meu fusquinha feita pelo Ararê Novaes.
 A feliz turma de Brasília posando para o retrato
 Piquet jogando a barata de lado e o Braca lá em cima posando para o retrato. Imagina esta barata nos anos 30 lá no Trampolim do Diabo com Caraciolla, Nuvolari, Bernd Rosemayer, Pintacuda, Hans Stuck, aquele abismo e o mar lá embaixo só esperando uma escapadinha. (Trampolim do Diabo era na Gávea no Rio de Janeiro.  Quem não conhece, veja o video abaixo: coisa de Macho.


 O video é de Nelson Pasini, bisavô de Giovani Pasini
 
 Gride de largada da Speed
 Os patriotas Leimar e Anelito
Pururuca e algum carro importante do passado, acho.
 Berg, Rafael e seu pai
 Os Fordinhos fazendo a tomada de tempo
 Uma visão panorâmica da pista.
 O meu amigo Marconi, Piquet, Pedrinho e..... 
 Pedrinho e Piquet
 Que sono gostoso... Mas acorda que Tá na hora de ver o papai correr.
 Piquet se preparando para a tomada de tempo.
O V8 do Lincoln com o conjunto de três carburadores e tampa de válculas Edelbrock.

Abaixo, alguns pequenos vídeos das corridas do Pé na Tábua.


Piquet sai para a tomada de tempo. A vibração do locutor com o V8 do Lincoln. 

Entrando no Box

A Corrida dos Calhambeques

Aqui o vídeo na íntegra da prova em que Piquet Participa, a Speed.

FUISION GRAND PRIX - EPISÓDIO 3 - O TREINO

Mais um episódio do Fusion Grand Prix quando Piquet e Mansel partem para a tomada de tempo, o treino.

Semana que vem tem mais um capítulo, o último da série, que será o duelo final.



 

sábado, 26 de janeiro de 2013

TÚNEL DO TEMPO

Veja que imagens incríveis. Eu mesmo fiquei na dúvida quando vi as fotos. Onde seria isto!!!
O retrato deve ser no final dos anos 60 ou início dos 70 e mostra o famoso Minhocão da UnB, a Universidade Nacional de Brasília.
Repare que existem poucas quadras e uma delas é a 312 norte onde fui morar em 1965 quando a família veio de Goiânia.
Lembro-me que nesta época nas quadras 300 norte, só haviam a 306, quadra de militares e a 312 onde fomos morar. O resto era só cerrado e a avenida W3 norte que ainda era de terra, não havia asfaltamento.
Ali ao lado tinha a conhecida "Colina" que ficou famosa depois que algumas bandas de rock brasiliense fizeram sucesso nacional como Aborto Elétrico, depois Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial e tantas outras que ensaiavam lá.
Brevemente contarei histórias aqui envolvendo esta quadra.
Isto é história de Brasília.
A foto foi captada do Face Book do amigo de infância Ceceu.



 No início da construção do Minhocão
A obra já concluída

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

POR DENTRO DA FORMULA VEE II

Gosto muito da Formula Vee que foi criada por Roberto Zullino e Joaquim Lopes Filho (o Mestre Joca), que começou de uma discussão num blog e veio a realidade hoje com mais de 26 carros no Grid da última corrida em Interlagos. 
No vídeo abaixo, imagens dos bastidores da Formula Vee e a movimentação que antecedeu a 10ª e última etapa do campeonato de 2012. Até o meu amigo Fernandinho “Menino Custoso” Lapagesse aparece lá, feliz da vida quando ele levou o Formula V pilotado por José Carlos Pace e foi o Pace Car da prova, como também o piloto Chiquinho Lameirão que experimenta o cock pit do Formula V. 
Enfim, uma categoria super competitiva e que já faz muito sucesso com menos de 2 anos de sua criação.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

PROGRAMA LINHA DE CHEGADA - PIQUET E MANSELL

Uma entrevista bem humorada de Piquet e Mansell que concederam para o Programa Linha de Chegada.

Eles falam de diversos assuntos, desde a rivalidade deles nas pistas na época da Williams, da comparação da formula 1 da época deles e a atual, pilotos, filhos, etc.
Vale a pena ver esta entrevista porque a Globo deve retirar o filme do You Tube a qualquer momento.

Atualizando 24/1: como disse acima, o vídeo foi retirado do You Tube e para a minha surpresa  dizem que foi a "Formula One Menagement" que o retirou. Se a entrevista foi feita pelo  "Linha de Chegada" (do Sport TV), que poder é este que esta organização tem para retirar o vídeo!!! Por isto, acessem o link abaixo:

Atualizando novamente: 28/01/13 - Coloquei novamente o vídeo.


 
Se o filme for retirado do You Tube, acessem o link abaixo do programa Linha de Chegada:
http://globotv.globo.com/sportv/linha-de-chegada/v/linha-de-chegada-entrevista-edicao-de-22-de-janeiro-de-2013/2362131/

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PIQUET X MANSELL - FUSION GRAND PRIX - EPISÓDIO 2


Mais um episódio do Fusion Grand Prix, o duelo entre Piquet e Mansell para divulgar o carro da Ford.

Este é o capítulo 2, "O carro", onde eles apresentam o Fusion em que os pilotos duelarão, um carro com 2 litros e com 240 cv de potência.
Nas próximas duas terças-feiras vão ao ar os dois últimos filmes da série que, pelo visto, é só para a internet, mesmo. O primeiro, no canal oficial da Ford no YouTube, teve 250 mil visualizações.
Como eu sei que o Nelson ganhou de 2 a 1 os 3 duelos que houve de três voltas cada, tô curioso para ver como a Ford editou estes filmes, porque o pau rolou solto entre os dois.
O Mansell venceu o primeiro duelo e o Nelson os outros dois e pelo o que eu fiquei sabendo, haverá um filme com mais duração que, provavelmente, será lançado também na TV em horário nobre.




Se o filme for retirado, acessem diretamente o link abaixo do Linha de chegada:
http://globotv.globo.com/sportv/linha-de-chegada/v/linha-de-chegada-entrevista-edicao-de-22-de-janeiro-de-2013/2362131/

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

POR DENTRO DO FORMULA VEE


Décima e última etapa do Campeonato Paulista de Formula Vee realizado no último sábado, dia 19, em Interlagos. O Vídeo, on board, é do piloto Adriano Grieco e dá bem uma mostra da competitividade que é hoje a Formula Vee.

É sensacional este vídeo. Com uma tocada firme e agressiva, o piloto Adriano Grieco (será parente da Adriana Grieco?) sai em 26º e vem comendo todo mundo, usando o vácuo e freiando depois, faz ultrapassagens impressionantes e consegue chegar na quinta colocação e com os descartes de pilotos que se recusaram a participarem da vistoria da FASP, ele acabou na terceira colocação.

O resultado final, depois dos descartes, foi este:

1o.- João Tubino

2o.- Fernando Monis

3o.- Adriano Grieco

4o.- Basilios Eleutheriou

Formulinha Race from Adriano Griecco on Vimeo.
 

TRISTE IMAGEM

Quando uma foto intitulada “Triste” diz tudo sobre o atual momento do automobilismo de base no Brasil.
Aliás, aquela que foi a maior categoria do automobilismo brasileiro.
A foto abaixo é de autoria do fotógrafo Vinícios Nunes e foi roubada do Blog do Américo Teixeira Jr, que nesse final de semana, em Interlagos, tem acompanhado o momento tenebroso da Formula 3. A foto diz tudo, e, mais ainda, o termo que o profissional usou para identificá-la: "Triste", apenas 6 carros alinhados, isto porque foram duas categoria, a divisão "A" com quatro carros e a divisão "B" com dois carros mais antigos e arquibancadas completamente vazias.
Quando a gente pensa que o nosso automobilismo revelou para o mundo grandes campeões na F1, como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Airton Senna, é muito triste ver que não temos mais categorias de monopostos de base no Brasil. 
 

sábado, 19 de janeiro de 2013

FUSION GRAND PRIX - A RIVALIDADE PIQUET X MANSELL

Quer ganhar os posters abaixo de Nelson Piquet e Nigell Mansel com dedicatória e autógrafo deles!!! Acessem o link abaixo de Fusion Grand Prix. 
Lá você poderá solicitar os referidos posters e ainda saber tudo sobre a rivalidade destes grandes campeões e como será os próximos capítulos desta promoção quando eles duelaram a bordo de dois Fusions na pista de Velopark. 
Irei postando os vídeos dos próximos episódios aqui no blog. Toda semana haverá um.  
Veja o poster com o meu nome e autógrafos deles.
 
 
 
 
 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

BICA VOTNAMIS - O CAÇADOR DE ESTRELAS

Este post foi feito em junho de 2010. Como tem muita gente novata aqui no Blog, resolvi reeditá-lo por tratar-se de uma história incrível, a de Bica Votnamis e seu Caçador de Estrelas. 
Bica Votnamis nasceu na Romênia e veio para o Brasil na década de 40 acompanhando a família que havia fugido da Europa do pós guerra e foi para São Paulo quando o seu pai montou uma oficina mecânica e ele começou a tomar gosto pela coisa, ajudando no que podia. Em 1964, colocou o primeiro carro para correr, um Renault Gordini 1093, depois, um Simca Chambord, Carretera Corvete V8 e outras participações.

Nas mil milhas de 1967, Bica inscreveu o incrível Caçador de Estrelas, um protótipo construído com motor Corvette central V8 e com a cabine do piloto que ficava à frente do eixo dianteiro e chegou até a andar na pista, mas o carro não foi homologado e ele foi retirado da lista de inscritos.

Abaixo, relato do Guilherme Decanini, falando sobre Bica Votnamis e seu Caçador de Estrelas.

Um pouco da história: meu pai foi mecânico de automóveis a vida toda, e tinha como cliente o pai do Bica. O Bica já tinha uns 25 anos, rico de montão e começou a correr. Primeiro de Renault 1093, depois Simca, e daí partiu para disputar várias competições com Carreteras. Comprou algumas coisas do pessoal do Sul, e assim estamos quase chegando perto no Caçador de Estrelas.

Naquela ocasião, eu já tinha uns 12/13 anos e vivia enfiado na graxa, ajudando meu pai e pentelhando o Bica (que utilizava a oficina do meu pai como base para preparar os carros) para andar de Carretera.


Lembro-me bem de que ele, na maioria das vezes, andava com o numeral 34, e me levava para testar algumas modificações do carro, neste tempo um Chevrolet comprado do Catarino Andreatta (uma fera), pelas ruas da Barra Funda. Eu "viajava" sentado no tanque, segurando a bateria com uma mão e tentando me ajeitar naquela porra que mal tinha santantonio. Um tesão desgraçado.

Foi então que Bica resolveu montar sua própria oficina de preparação, na Rua Barra do Tibagi, no Bom Retiro. Aqui começa a história do Caçador de Estrelas. Foi nesta oficina que nasceu o bicho. O Bica viajou para os Estados Unidos e trouxe um motor de Corvette, já preparado com 8 maravilhosas cornetas que tinham pelo menos 30 centímetros de altura, projetando-se para cima do coletor. Trouxe também uma série de componentes de suspensão, freios, diferencial autoblocante, rodas para cubo rápido, etc.

O Caçador de Estrelas acelerando nos treinos dasMil Milhas de 1967.
Então, contratou dois mecânicos da oficina do meu pai e começou a montar o carro. Partiu do zero com pretensões iniciais de construir um esporte-protótipo de dois lugares, motor dianteiro, com chassis tubular e carroceria de alumínio.

Contratou soldadores e partiu para a montagem. Tudo andava bem até o momento em que o Bica decidiu mudar o projeto. Ao invés de um carro com motor dianteiro, resolveu fazê-lo com motor central. Mede daqui, mede dali, e ficou decidido que o cockpit iria ser montado no eixo das rodas dianteiras.

Puta loucura, o Bica comprou uma Kombi para se acostumar a pilotar com naquela posição fantástica, e acredite, a caixa de direção do carro era de fato, uma caixa de Kombi, com a barra cortada e montada verticalmente no cockpit, e as pedaleiras obviamente separadas pela coluna – ou seja, acelerador e freio ao lado direito da coluna e a embreagem do lado esquerdo.

Cabine à frente do eixo dianteiro e caixa de direção da Kombi
 
Quanto à carenagem, outra estória das boas. O Bica era muito amigo de um outro piloto, de nome Roberto Gomes, argentino boa pinta, que corria de Simca, e era cheio das amantes que eu, garotão, só ficava cobiçando. Amenidades à parte, o Roberto Gomes trouxe para o Brasil um conterrâneo de nome Paulo, mestre na arte de modelagem de alumínio, que esculpiu a carenagem do Caçador de Estrelas, sob as orientações nada ortodoxas do Bica.
Assim nascia o Caçador de Estrelas, Star Fighter, que não se tratava de um nome advindo da NASA, como foi dito na reportagem que li recentemente, mas sim de um avião caça da Força Aérea de Israel.


Repare a cabine ficava à frente do eixo dianteiro
Visão da traseira (coisa de doido)
Motor de Corvette, câmbio de Jaguar, diferencial autoblocante, rodas de cubo rápido, freios a disco nas 4 rodas, carenagem do Paulo argentino, parabrisas e proteção dos 4 faróis bi-iodo com acrílico do Edson Ferri. Um provável foguete?

Ao término da montagem foi realizada uma reportagem de folha inteira pelo Jornal da Tarde – alias, consta o nome do jornal na carenagem do Caçador de Estrelas. No dia da reportagem lá estava eu, pentelho e xereta, constando como colaborador da construção do carro,que pude acompanhar todos os dias, após sair do colégio próximo à Oficina do Bica.

 

 
Aqui o motorzão Corvete V8 no centro do carro
Após os primeiros treinos, o carro não foi homologado por motivos óbvios de segurança. O Bica ficou puto. Decepção Geral!! Choradeira!! Então, ele comprou naquela semana das Mil Milhas de 1967 (acho que foi por aí), uma outra carretera, tirou o motor do Caçador e foi para a prova, cujo resultado minhas lembranças não registram. Depois daquele fatídico dia, o Caçador foi desmontado e o que sobrou virou sucata.
 
Rodas de Corvete raiadas
Começou então uma nova sina. Com a mesma equipe, agora na Rua Jaraguá, também no Bom Retiro, sobre um chassis de um Oldsmobile Ninety Eight, de um tio do Bica, pois loucura pouca é bobagem, começava a nascer um novo protótipo também esculpido pelo Paulo, agora com motor central.

O carro estava lindo e quase pronto, quando em 1967 eclodiu a Guerras dos Seis Dias, na qual Israel estava envolvida até os dentes. O Bica viajou para Israel, segundo ele mesmo para defender a sua Pátria. Ficou de voltar. Nunca mais voltou, deixando a oficina montada, mecânicos sem saber o que fazer, e os xeretas de plantão, perplexos com um carro inacabado que o destino se incumbiu de fazer desaparecer no tempo.
Nunca mais soube nada a respeito do Bica, até me deparar com a reportagem já mencionada. Diz a reportagem que o Bica deve estar no andar de cima. Não sei, não posso afirmar, mas acho que pela nossa diferença de idade, pois hoje já estou com quase 50, já dariam ao Bica uns 70/75 anos, no mínimo.
Se ele já foi, por certo deve estar entre amigos, acelerando forte aquele bicho feio. Nós aqui, com saudades de um tempo muito louco.
Só para se ter uma idéia, durante a construção do último carro, o Bica tinha um Chevrolet Impala. Pois o maluco pegou o motor do Corvette, bravíssimo, e montou no Impala (o Paulo recortou o capô do Impala zero para as oito cornetas) só para visitar os amigos que tinha no Rio Grande do Sul. Imagine o quanto andava aquela merda!!!!”
Fotos reprodução, fonte: relato Decanani no gptotal

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

PIQUET X MANSELL 2012 - CAPÍTULO 1

Mês passado Nelson Piquet e Nigel Mansell se encontraram para um duelo no autódromo do Velopark onde eles disputaram três provas com três voltas cada.
 
A Ford há pouco postou no You Tube "O episódio 1 - O encontro" e segundo fui informado, seriam alguns episódios muito curtos e um maior que seria lançado provavelmente no You Tube ou naquelas campanhas onde eles alugam um espaço comercial em algum programa e aí sim, mostrarão o que aconteceu de verdade.
 
Nas três minis provas que foram realizadas, sei que o Piquet ganhou de 2 a 1. A primeira, o mansell ganhou e as outras duas o Piquet.
 
A rivalidade está ainda bastante acirrada e a Ford disse para os dois que eles poderiam ficar a vontade, ou seja, valia quase tudo e o pau rolou feio (na pista).
  
O filme da campanha de publicidade da Ford é este "Fusion GP - Episódio 1 - O encontro"

Vejam a expressão de Nelson Piquet.




segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

TÚNEL DO TEMPO

Campeonato Brasileiro de série Grupo 1, no autódromo de Interlagos no dia 07 de maio de 1977.
 
Quem são os pilotos dos carros? O último Maverick é de um conhecido piloto brasiliense que teve um disputa acirrada com Raad Massouf no campeonato brasiliense de Stock Car no final dos anos 70.
E o opalão?
 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

MINIS CHALLENGES SENDO DESTRUÍDOS

Vejam como é o nosso automobilismo.

Uma das poucas categorias legais que existiam ano passado e que acabaram com ela, a Mini Challenger, os seus carros estão sendo destruídos.



Segundo relato de Nick Magrath a Rodrigo Mattar do Blog A Mil opor Hora, "no tempo das motos importadas de competição para provas de motocross, alguns componentes eram retirados, mas as Honda CR e Yamaha YZ eram completamente destruídas ao fim de cada temporada. Sem dó, nem piedade. É o mesmo que deve estar sendo feito com esses carros do Mini Challenge. Equipamentos importados, dependendo da situação, não podem ser repassados. Têm que ser devolvidos, ou destruídos".

Segundo ainda Rodrigo Mattar, a CBA acabou com 7 categorias ano passado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O PILOTO TITE CATAPANI

A matéria abaixo é do ótimo site Nobres do Gride e mostra com muita fidelidade a carreira do piloto Tite Catapani, que correu em diversas categorias do automobilismo brasileiro desde o kart, protótipos, carros de turismo e fórmulas.

José Renato Andrade Catapani nasceu no dia 17 de junho de 1947, em Limeira, Sua família era conhecida na região pois desde os tempos do seu avô, o negócio no ramo citricultor era o esteio da família, caminho que foi seguido pelo pai de Tite, 'seu' Vicente Catapani. A mãe de Tite, D. Corina, era a típica dona de casa daqueles tempos: cuidando dos filhos - José Renato e Carlos Alberto - e acompanhando a formação dos mesmos. Tite estudou em um colégio estadual em Limeira e, formou-se como técnico em contabilidade.
Família cultivava laranjas desde os anos 30, desde o avô. Seu Vicente seguia os passos de seu pai, fazendeiro da região e produtor de laranjas sempre gostou de carros e corridas e isso acabou influenciando o jovem Tite, apelido de família, e – fugindo bem à regra dos tantos que tiveram que começar a correr escondidos e/ou usando pseudônimos – ele acabou tendo o apoio e o incentivo em casa. Tite falou com emoção sobre o apoio que o pai lhe deu para correr, não apenas moral, mas financeiro, pois sabia que, para um rapaz do interior, chegar a competir e estar entre os melhores do Brasil não seria nada fácil.
Era através das revistas que seu pai comprava que eles acompanhavam o mundo das corridas e que ficaram sabendo da existência dos karts, quando estes surgiram nos EUA, no final dos anos 50. Depois disso, souberam que havia uma pessoa, um tal de Claudio Manuel Rodrigues, que estava construindo karts.

O kartismo logo começou a florescer, no rastro das provas de rua, nas cidades da região como Limeira, Piracicaba, Araras, Americana... e a leva de pilotos que estava se formando, copiando das revistas, começaram a construir os próprios karts e a organizar as corridas eles mesmos.


O "kart" construído por Tite e seu pai... um volante de carro e rodas de carrinhos de mão. Era um tempo de criatividade.

Os karts eram feitos “como dava”, até que um deles, o Renato Fumagalli, foi a São Paulo e comprou um Rois Kart, equipado com um motor de 100cc da marca McCulloch. Claro que, quando ele chegou para correr com este kart, além do fato de ele ser um ótimo piloto, ele ganhou fácil a primeira... aí seu pai falou: “vai a São Paulo e compra um kart destes...” Tite foi, comprou, voltou, e venceu o rival! Foi nestes tempos de kart que o pequeno Tite ganhou o apelido de Flecha... colocado pelo próprio pai! Após um treino em que marcou a pole position, ‘seu’ Vicente chegou e mandou: “o meu Tite é uma flecha!” Lógico que a garotada caiu de pau e o apelido acabou pegando. Tite acabou levando ‘numa boa’ o apelido e colocou flechas em seu capacete. Diga-se de passagem, 'seu' Vicente, sempre que podia, acompanhava o filho nas competições. Já D. Corina, ficava em casa... rezando! E pelo visto, o "sistema" funcionava.
Fã de velocidade, aos 14 anos viveu uma grande emoção quando Ciro Cayres, um dos grandes nomes do nosso automobilismo na primeira metade dos anos 1960, foi visitar a Rodobrás, fábrica de rodas que era de uma de suas tias. Claro que Tite foi lá para ver a ‘fera’ de perto e deu de cara com o carrão do piloto: uma Maserati 450S, com motor de oito cilindros. Ciro percebeu a empolgação de Tite e, após a visita, convidou-o para “dar uma voltinha. Segundo nos contou, Ciro Cayres pisou fundo na Via Anhanguera, quase ‘matando’ o menino de emoção.


Depois que passou a ter um kart de verdade, Tite dominou as competições que disputou, rivalizando com grandes pilotos da época.

Pouco tempo depois, os Fittipaldi, liderados por Wilsinho, a quem Tite já admirava como piloto, começaram a construir os karts mini, junto com Mario Carvalho e o Maneco Combacau. Tite já frequentava as “rodas de velocidade” em Interlagos e na loja de karts da Avenida Tabapuã, de propriedade de Carol Figueiredo e Maneco Combacau.
Como Tite andava bem com o Rois e vencia corridas e depois – com um Mini, pintado de azul – andava bem, o Wilsinho fez uma proposta: “Você não quer pintar o kart amarelo, coloca o nome ‘Mini’ e você corre para nós, divulgando nosso kart no interior do estado”. Tite, que já era fã deles, topou na hora! Pode ser Tite tenha sido o primeiro a ser convidado a fazer este tipo de contrato com a equipe.


O segundo kart verdadeiro de Tite Catapani foi um Mini. Logo Tite faria parte da grande esquadra de pilotos da equipe.

Posteriormente, quando os Fittipaldi venderam sua participação e Mario Carvalho assumiu sozinho a equipe, Tite recebeu – sem ter que comprar – um segundo kart, novo e mais desenvolvido. Ali já era a fase da Equipe Mini. Era o ano de 65.
Todos os pilotos mais novos da nossa geração de ouro do automobilismo aderiu àquela febre que era o kart, assim, os grids tinham os irmãos Fittipaldi, Chiquinho Lameirão, Carol Figueiredo, José Carlos Pace, Ludovino Perez, Maneco Combacau, Marivaldo Fernandes... e Tite Catapani! Foi nesta época também que os pilotos se uniram para fazer uma reinvidicação à FASP: Manter seus números! Todos os anos ou mesmo provas, os pilotos tinham que usar o número de inscrição... e isso mudava sempre! Com o pedido, cada piloto teria o seu número e Tite adotou o 94, o último que utilizara e que era o número de iscrição dele no Automóvel Clube Paulista.


Dos tempos da equipe Mini, consolidou-se a grande amizade com Emerson Fittipaldi, apesar de Tite ser fã do piloto Wilsinho.

As provas, antes do kartódromo de Interlagos ser construído eram feitas em parques e praças, como em frente ao Pacaembu ou no Ibirapuera. Tite lembra com emoção da prova inaugural do kartódromo de Interlagos, feito na gestão do prefeito Faria Lima. Além do fato dos kartistas ganharem – finalmente – um espaço para eles, foi ele – Tite Catapani – o vencedor da primeira prova disputada naquela pista que tantos grandes pilotos revelou. Tite sagrou-se campeão brasileiro de kart em 1968.
Apesar da paixão pelos pequenos e velozes monopostos, Tite estava crescendo e as ambições do piloto cresciam também. Contudo, em momento algum ele descuidou dos estudos, formando-se como Técnico em Contabilidade. Tite ainda tentou seguir em frente com um curso universitário, fazendo até o segundo ano de Direito. Contudo, o "velocitococus" falava mais alto!


O DKW foi o carro da primeira incursão de Tite com os automóveis. Andou na frente, disputando a ponta até ter problemas.

Já em 1966 nosso herói e artista de cinema (calma... a gente chega nessa parte daqui há pouco) começava a enveredar pelos caminhos das provas de automóveis. Inicialmente, nas disputas no interior de São Paulo, onde estreou ao volante de um DKW, alugado junto ao Romeu Partezani, que também pilotava na época, numa prova para estreantes em Piracicaba.
Naquela prova, outro herói de nossa galeria também rasgou o asfalto: Jan Balder, com um carro de fábrica. Tite largou na terceira posição, atrás de Jan Balder e Angi Munhoz. Tite tomou a segunda posição e disputou palmo a palmo com Jan Balder até ter um problema elétrico (soltou o fio de um dos platinados) e a longa parada nos boxes para descobrir qual era o problema, fez com que o resultado final fosse apenas uma 8ª colocação... mas ali já tinha como se ter a certeza de que dava para andar na frente com os melhores.

Com o furca da sua mãe, Tite venceu a segunda corrida que disputou... venceu mas não levou. Foi desclassificado "por um detalhe".

Outra passagem que Tite Catapani não esquece é a de sua primeira corrida em Interlagos. Sem ter um carro para correr, ele pegou emprestado o fusca da D. Corina e falou com o pai – sem dizer que ia correr, claro – que precisava do carro emprestado, que devolveria na segunda-feira. Junto com o mecânico Santo Miranda, sócio da oficina Miranda e Micheletti, deram uma melhorada no motor, colocaram um santo antônio, tiraram bancos e parachoques... aquela aliviada normal... e foram para Interlagos!
Com o fusca de sua mãe, Tite andou na frente dos Gordinis, grandes carros de competição na época para os carros de menor potência. No final da prova, um dos pilotos do Gordini estava indignado. Ele não considerava ser possível um Gordini, com motor 850cc, andar atrás de um Fusca. Ele pediu uma inspeção técnica e acabaram achando uma irregularidade, que nem foi proposital: o cano de escape estava 2 centímetros mais longo que o permitido. Contudo, a diferença não estava no escapamento, mas sim no volante!


No "cantinho" que sua esposa, Ana Cristina, criou, fizemos Tite viajar no tempo: "Fazia anos que eu não revia isso", confessou.

Apesar de ter em Wilsinho Fittipaldi uma referência e uma enorme admiração, foi com Emerson Fittipaldi que se consolidou uma grande amizade. A ponto dos dois trocarem diversas cartas, com Emerson contando detalhes espetaculares sobre como estava sendo a experiência de correr na Inglaterra, ricas em fatos que nunca foram citados, nem no livro da biografia do campeão (nota dos NdG: Como era algo muito pessoal, respeitamos o pedido de ‘seu’ Tite para não publicá-las).
Foi uma fantástica viagem no tempo que pudemos fazer junto com Tite Catapani ao reler as cartas daquela época... ok: vamos citar só dois trechos. Um em que o Emerson, mesmo estando prestes a sagrar-se campeão da FFord e de F3 na Inglaterra, ainda falava como piloto da Mini, recomendando o amigo para “não dar moleza” aos “putos da FBM”, os pilotos e a equipe dos Giaffone, concorrentes da Mini. E para o “Napa” (Mario Carvalho) preparar um kart “possuído” para quando ele voltasse, caso tivesse alguma prova antes do final do ano de 69. Outro, em que ele e Chico Rosa lamentavam a morte do irmão de Tite, em 1970.


Após a volta das competições em Interlagos, foi ao volante de uma Alfa GTA, privada, mas preparada pela Jolly que tite voou.

Esta foi a época em que a família Catapani viveu um drama particular: Carlos Alberto, o Cacá, irmão mais novo de Tite em um acidente de automóvel coincidiu justamente com o período em que Interlagos ficou fechado para reformas. Foi preciso muito apoio em casa – e isso ele tinha de sobra – para continuar com ânimo. Todos os amigos foram muito solidários, inclusive Emerson, que já estava na Europa.
Os pilotos que ficaram no Brasil sofreram com o fechamento de Interlagos para reformas, entre 68 e 69, com as provas sendo realizadas – quando realizadas – em algumas cidades como Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro. Em 1970 Tite conquistou seu primeiro troféu pilotando um carro ao invés de um kart. Foi nos 1500 km de Interlagos, em 8 de março, um 4º lugar, mas que ele não tem uma foto do fusca-carretera, feito de plástico! Um carro todo artezanal, como muitos faziam na época. Tite lamenta não ter uma foto sequer da sua obra de arte, principalmente porque era a prova de reabertura do autódromo de Interlagos após a reforma de 68/69.


Além da Alfa, Tite correu com o protótipo Royale, muitas vezes em parceria com Lian Duarte. Um carro rápido e manhoso.

O resultado na pista empolgou Tite e ele decidiu comprar um carro e prepará-lo para competir. Depois de analisar as possibilidades, optou por comprar um Alfa Romeo, uma vez que eram as Alfas da equipe Jolly os carros dominantes das provas nacionais. Tite então comprou uma Alfa GTA e passou a correr como membro independente da equipe Jolly: o carro era dele, o suporte técnico era da equipe. A vitória veio na segunda prova, no torneio sulamericano e em maio de 1970, em parceria com Piero Gancia. Na prova seguinte, as 250 milhas de Interlagos, mais uma vitória da Alfa número 94!
A compra da Alfa teve uma influência direta da amizade com Emilio Zambello e para correr, Tite ainda contou com a força de um antigo adversário: seu patrocinador era as Rodas Fumagalli... o mesmo Fumagalli da família contra quem Tite disputou suas primeiras provas de kart, no interior de São Paulo mas que não quis seguir a carreira de piloto.


Tite vai buscar o troféu do campeonato brasileiro de kart, ganho em 1968. As estantes, repletas de troféus tem este bem no centro.

Nos 500 km de Interlagos Tite estava confiante, mas considerava o Bino Mk II da equipe comandada por Luiz Antônio Greco e pilotado por Luiz Pereira Bueno como o carro a ser batido... e no final, eles foram os vencedores. Mesmo assim, os resultados obtidos ao longo do ano renderam à Tite Catapani a maior honraria que era dada aos pilotos da época: o cobiçado Prêmio Victor. Além disso, Tite foi matéria das principais revistas do país e das colunas de esportes de todos os jornais. O prêmio foi entregue por ninguém menos do que Colin Chapmann, que, se não jogou o boné para o alto, fez a deferência de tirar o chapéu para Tite Catapani.


A Lola T210 tem uma história de amor que Tite chega a mudar o tom de voz quando fala deste carro, que chama de "Lolinha".

Tite Catapani correu em dupla com Lian Duarte com o protótipo Royale em algumas provas e posteriormente veio fazer parte da mais bem estruturada equipe já montada na história do Brasil: a Hollywood. Nesta época Tite já corria com um Lola T-210, um carro maravilhoso.


Entre as grandes conquistas de Tite Catapani, impossível não destacar o Prêmio Victor, entregue pelas mãos de Colin Chapmann.

O ano de 1971 foi um ano pródigo, com muitas conquistas nas pistas e Tite já era considerado um dos maiores ases do Brasil e o sucesso rendeu-lhe um convite inusitado: participar como ator de um filme estrelado por Roberto Carlos! Tite interpretou o campeão inglês que veio disputar a Copa Brasil de automobilismo. O convite surgiu por conta de Tite ser frequentador dos shows do cantor, inclusive dos camarins, por ser o empresário de Roberto, um amigo do piloto e conterrâneo de Limeira. O convite, inclusive, foi feito pelo próprio Roberto!


Foi pilotando a Lola que Tite participou do filme "Roberto Carlos a 300 Km/h, interpretando o campeão inglês... com pose de galã.

Uma passagem “interessante”, na opinião de Tite e “espetacular” na nossa foi o acidente que o cantor sofreu, no contorno da curva do laranja, quando perdeu o controle do Avallone-Chrysler, rodou e foi parar na valeta que tem na parte interna da curva, entre o laranja e a ferradura. O susto foi grande, mas Roberto fazia questão de pilotar o carro (ele era freqüentador assíduo de Interlagos, freqüentava os boxes e era fã do Camilo Christófaro).


Durante as filmagens, Roberto Carlos sofreu um acidente e, logo em seguida pediu para andar com Tite na Pista para "tirar o trauma".

A cena, que fora toda gravada, foi usada no filme como sendo um acidente de treino do piloto Rodolfo Lara, interpretado por Raul Cortez, pelo trauma de um grande acidente sofrido anteriormente. Depois do susto, Roberto pediu a Tite para dar umas voltas no circuito com ele no carona... após voar com o Flecha pelos 8 Km de Interlagos, o cantor agradeceu pela experiência e confessou que, por mais que gostasse, nunca conseguiria guiar daquele jeito... nas palavras do próprio Roberto, “cada um na sua, eu não tenho nada de piloto”!

Naquele ano Tite participou de uma prova do mundial de protótipos em dupla com Wilson Fittipaldi Jr., nos 1.000 Km de Buenos Aires. Tite também correria outra prova internacional, os 1.000 Km da Áustria, no autódromo de Zeltweg, dessa vez dirigindo um Porsche 908/2, em dupla com o velho amigo Luiz Pereira Bueno. Era também uma etapa do Campeonato Mundial de Marcas e o carro chegou a ocupar a 4ª posição, com Luiz Pereira Bueno ao volante. Tite não chegou a correr, fez apenas os treinos uma vez que o Helmut Marko – que fazia dupla com o Moco – em uma Ferrari da equipe oficial da fábrica acabasse acertando a Porsche dos brasileiros e acabasse tirando o carro da prova.
Mas aquele início de década também teria sua parte difícil... o convite de Luiz Antônio Greco para participar do I Rally da Integração, pilotando uma perua Ford Belina, tendo como navegador Arthur Mondin parecia ser um desafio e tanto, além de uma nova modalidade de competição. A prova tinha 3.300 km, Saindo de Fortaleza (CE) e chegando no extremo sul do Brasil, no Chuí (RS), literalmente atravessando o Brasil. Tite nos contou que por vezes, trocou de lugar com o navegador e numa sestas trocas, eles foram pegos de surpresa por uma neblina fortíssima. Acabaram saindo da pista e capotaram. Ele precisou se submeter a uma cirurgia para a retirada do baço e ficou 6 meses fora das pistas.


Depois de formada a Equipe Hollywood, Tite passou a correr no melhor esquema profissional que poderia encontrar no Brasil.

Enquanto foi permitido o uso de carros importados no Brasil, Tite Catapani e sua Lola T-210 – que Tite chama, carinhosamente, de “Lolinha” – conquistaram diversas vitórias e também em parcerias com Luiz Pereira Bueno no Porsche 908/2 nas provas brasileiras, algumas inclusive disputadas em circuitos improvisados, como as famosas “voltas do Mineirão”, corridas em torno do estádio.


A equipe era a Hollywood, mas a Lola era sua, apenas pintadas com as cores do time. Foram várias conquistas ao longo dos anos.

Quando não foi mais permitido o uso de carros importados nas competições nacionais, a equipe Hollywood já utilizava os carros montados no Brasil, como o Opala e o Maverick e Tite Catapani, como quase todos os pilotos de ponta do país, foi participar da categoria Turismo Divisão 3, destinada a automóveis de linha, fabricados no Brasil, mas devidamente preparados. Tite disputou corridas dividindo o carro com Luiz Pereira Bueno algumas vezes. “Uma experiência maravilhosa”, confessa. Venceu provas de longa duração, tanto pela Equipe Hollywood quanto, posteriormente, correndo com o patrocínio da Manah, sempre com os Maverick.


Com a proibição dos carrões importados, os pilotos tiveram que "se virar" com os nacionais: "foi um enorme retrocesso", diz Tite.

Foi nesta época, em 1973, que Tite casou-se com Ana Cristina Benninger, com quem veio a ter três filhos, que hoje trabalham com ele no escritório em Araraquara, cidade onde mora atualmente. Foi nesta casa que encontramos “o cantinho”, como ele referiu-se antes de marcarmos nossa visita. Na verdade, o “cantinho” é a garagem embaixo da edícula da bela casa em que ele mora e que foi um presente da Ana Cristina, que carinhosamente reuniu todo o material de formas a preservá-lo. Tite é um dos poucos a ter um pequeno museu.


Com o surgimento da F Vêm Tite foi andar de monopostos... dizia que "não era seu forte, sempre andou entre os primeiros.

Tite lamentou muito a perda do campeonato brasileiro da Divisão 3 em 1974, perdido na última prova, em Cascavel-PR, por conta de um pneu furado há 5 voltas do final... uma “pedra cantada”, pois ele falou com o chefe da equipe que os pneus estavam muito gastos... o título acabou ficando para Edgard Melo Filho.


Nos anos 80, voltou aos karts... na verdade nos poderosos superkarts, com seus dois motores e uma velocidade alucinante.

Com a diminuição de opções das divisões de carros de turismo. surgimento da Fórmula Super Vê, muitos pilotos entraram na categoria, entre eles, Tite, convidado por Anísio Campos. Humilde, Tite afirma que monopostos e fórmulas “não eram o seu forte”, que preferia os carros esporte ou mesmo os de turismo, mas nunca deixou de andar no pelotão da frente. Em 72 ele também participou do festival de Fórmula 2 no Brasil.


Na garagem do escritório, no centro de Araraquara, Tite guarda algumas relíquias... ele também é um "apaixonado por duas rodas".

A última prova de Tite Catapani nas provas de Turismo foram as 6 horas de Interlagos, onde correu ao lado de Jan Balder terminando em 5º lugar. Tite disputou também as primeiras provas dos superkarts, com dois motores e 250 cc, em 1983... ele fala com certa nostalgia que o aumento das exigências sobre os pilotos, que precisavam se dedicar mais aos treinos e, com três filhos pequenos e os negócios da família para cuidar, era preciso tomar uma dura decisão: abandonar as pistas.


No "cantinho" montado por Ana Cristina, Tite pode se orgulhar de sua história nas pistas. Um verdadeiro Nobre do Grid!

Hoje, Tite Catapani é um empresário bem sucedido do setor agropecuário, continuando e fazendo crescer os negócios de família no ramo citricultor no interior paulista e na criação de gado no estado do Mato Grosso. Segundo os amigos, não é adepto ao chapéu, como usava ‘seu’ Vicente, mas como ele disse gostar de bonés, a nossa marca está desfilando por pastos e laranjais graças a este grande piloto e grande ser humano que ele é.
Fontes: Revista Quatro Rodas, Revista Autoesporte, Revista Brasileiros, Obvio, Yellowpages, Depoimentos e arquivos pessoais do piloto, CDO.