quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

UM DKW SCHNELLASTER EM BRASILIA

O primeiro carro que dirigi foi esta Vemaguet ano 65 do meu pai quando morávamos na 312 norte. Quando ele saía para trabalhar, eu pegava a chave dela e dava umas voltas pela quadra. Mas algumas vezes, entrou água no distribuidor e molhou os platinados e aí era um trabalhão danado para secar, dar umas lixadas neles e botar para funcionar.
 
Então a minha paixão por estes carrinhos pipoquentos e fumacentos veio desde esta época e se firmou nas corridas de ruas que eram realizadas na cidade quando tínhamos pilotos como o George Pappas com o seu Belcar carreteira e tantos outros que participaram de corridas pelo Brasil afora como a Carreteira Micley Mouse de Flodoaldo Arouca, o Volante Treze.
 
Um dos carros mais fasciantes produzidos com motor DKW, dois tempos, é o Schnellaster e que povoou o meu imaginário durante muito tempo até que o meu amigo David Tronconso, conseguiu um destes modelos no interior de Goiás, carro este que pertenceu à família Marinari e que era usado pela empresa deles.
 
Este carro foi produzido de 1949 até 1962.
 
Veja, abaixo, a história da origem e do destino dele contado pelo próprio David Troncoso e com muitas fotos da restauração dele que deverá ser concluída ainda este ano.
 
A Vemaguete do meu pai que eu dava uns rolés pela quadra no início dos anos 70. 
 
 
Veja o depoimento do David dado para este blog.
 
"Jovino, encontrei esta Schnelllaster em abril de 2015, em Goiânia, na loja Extreme,de antigos e restaurações.
Ela tinha sido do João, que disse uma época que iria enterrar parte, num hotel, ( diz a lenda ), eu então comprei do Moura, no dia 12 de junho.
Lembrei que tinha visto uma reportagem no blog do Flávio Gomes, sobre(talvez) este carro e fui na coluna do FG.
Reconhecendo as pessoas alí mencionadas, não foi nada difícil encontrar e falar com o filho do Divino Marinari, ali na foto, um dos proprietários do carro. Divino, filho, logo puxou na memória e me relatou muito sobre o mesmo. 
Coincidência maior é que, O Sr. Divino Marinari (pai) era casado com uma irmã de uma pessoa casada com meu tio. 
Falamos então sobre as características do carro, ao que me parece ser o mesmo, pois, na época eles não conheciam outro carro em Goiânia.
O carro era usado para serviço de som autofalante, pois não existia rádio emissora em Goiânia e eles então mandavam notícias e divulgavam publicidade nele. No carro tem inclusive os sinais característicos de fixação daquelas cornetas grandes de auto falantes. E ele me confirmou a cor do carro.
Não era comum este carro, pois não havia na região revenda de veículos da marca, nem manutenção autorizada.
O nome estampado na foto de época MARISA, é a junção de MARINARI e SASSE.
E a esposa do Valdir e do SASSE, estão vivas as quais prometi o primeiro passeio, com direito a reportagem do Blog do Jovino e do Blog do FG
Hoje ela está sendo restaurada pelo Rone e pelo Oswaldo na oficina do Rone, no Riacho Fundo I, Paraná Escapamento.
Contactei nos grupos e então consegui comprar motores e peças já enconstados ha muito tempo, De quatro motores fizemos um, que testamos já o dinastarte, componente que tem tres funções: a de volante de motor, bobinas de carga geradora e bobinas de partida alem da função de distribuidor.
Este carro foi produzido pela AutoUnion na Alemanha em 1951, dois tempos e dois cilindros.
Como era muito desconhecido, demos um wash primer nela, bem forte, e levamos para o BC para discutirmos e aprendermos alguma coisa e aprendemos muito. Foi muito legal.
Vou mandar algumas fotos
Abraços"
 
David Troncoso 
 
 O carro quando chegou à Brasilia
 

Aqui já em fase inicial de restauração.
Eu e o Catanha fomos conhecer o carro lá no Riacho fundo quando o David nos recebeu.
Repare na entrada de ar acima e que e muito rara neste carro.
O interior dele já todo pronto.
Foi construído este chassi aí só para dar sustentação à carroceria enquanto ele é restaurado.


Este é um dos 4 motores que ele conseguiu, sendo que, o motor que ele usará está sendo preparado.
Mais partes do motor
Algumas engrenagens

O velocímetro que marca até 100 Km/h neste motorzinho de dois cilindros e 600 HP
Esta é a engrenagem do Câmbio, com três velocidades e a ré.
O tanque de combustível e o radiador dele.
Este é um modelo furgão também e se não me engano, foi fabricado na Argentina.
Um modelo Picape
Mais uma perua de passeio
e este customizado e modenizado com rodas de liga leve.

Abaixo, vídeo do funcionamento parcial do motor que irá equipar o Schenellaster do David.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

PEDRO PIQUET DISPUTA O TOYOTA RACING SERIES

Começa neste sábado a carreira internacional de Pedro Piquet quando disputará o Toyota Racing Series e já é considerado o favorito pela imprensa local.
 
Pedro é um menino muito gente boa e sempre esteve acompanhando o seu pai aqui nos eventos e no nosso encontro todas as quartas numa pizzaria aqui em Brasília.
 
Então muita sorte e que tudo de certo para ele neste torneio internacional.

Veja o calendário abaixo, segundo o próprio Piquet pai, serão 15 provas que começa dia 16 de janeiro e termina no dia 14 de fevereiro na Nova Zelândia. 
 
January 16/17 Ruapuna, Christchurch
January 23/24 Teretonga, Invercargill...

January 30/31 Hampton Downs, North Waikato
February 6/7 Taupo
February 13/14 New Zealand Grand Prix, Manfeild, Manawatu



quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O ACIDENTE FATAL DE MARCELO CAMPOS

Muito se falou no acidente que vitimou fatalmente o piloto mineiro Marcelo Campos no final dos anos 60 lá no Mineirão, mas nenhum documento que comprovasse este acidente havia sido registrado até então, ficando no imaginário do povo, como teria sido este acidente.  
 
Até que o ex piloto Luiz Carlos Correa publicou na sua página no facebook o retrato deste acidente fatal. Segundo relatos dos que presenciaram o acidente, ele saiu no seu puma para treinar quando a pista ainda estava aberta para o trânsito normal da cidade e ele bateu numa camionete de um feirante vindo a morrer. 
 
O puminha aí depois foi reconstruído pelo também mineiro Toninho da Matta e com ele venceu o último Mil Km de Brasília de 70.

 

sábado, 26 de dezembro de 2015

OS OPALÕES ESTÃO DE VOLTA

A Old Stock Race, criada pelo meu amigo Paulão Gomes, vem resgatar a época romântica do nosso automobilismo quando os opalas participavam da antiga Stock Car.
 
Nesta prova largaram 17 carros, mas já existem mais de 25 opalas prontos para participarem do campeonato que se iniciou agora em dezembro de 2015 em Interlagos, e deverá ter provas em vários Estados, inclusive, Brasília, se até lá tivermos o nosso autódromo novamente em condições de receber provas.
 
Abaixo, algumas fotos da primeira prova e um vídeo mostrando como será disputado o campeonato.
 
O Paulão já fez a intimação para que os nossos ídolos brasilienses Catanha e Zé Laurindo façam os seus carros para voltarem a brilhar na categoria.
 
Os opalões depois da prova
  
Disputas bem acirradas.

Os pilotos participantes da primeira prova em Interlagos

Abaixo, um vídeo mostrando um pouco da prova.



Abaixo, o resultado das duas primeiras etapas.

1ª Prova 

 1) 28-Edson Souza/ Pedro Marques (Old Stock), (15 voltas) 31:01,295 (abaixo)
2) 72-Djalma Fogaça/ Fabio Fogaça (Old Stock), à 11,508
3) 18-Georges Lemonias/ Felipe Lemonias (Old Stock), à 29,708
4) 9-Marco Maragno (Old Stock), à 36,025
5) 11-Molly Robson/ Renan Guerra (Old Stock), à 46,089
6) 23-Victor Franzoni (Old Stock), à 46,231
7) 8-Miguel Beux (Old Stock), à 1:01,212
8) 113-Rodrigo Helal (Old Stock), à 1:27,700
9) 71-Nelson Gomes Jr (Old Stock), à 1:38,443
10) 64-Marcos Philippi (Old Stock), à 1 volta
11) 21-Everson de Paula (Old Stock), à 1 volta
12) 43-Alcindo Moreira (Old Stock), à 2 voltas
13) 25-Jorge Schuback (Old Stock), à 3 voltas
14) 78-Arnaldo Santos (Old Stock), à 3 voltas
15) 2-Alex Dimas (Old Stock), à 5 voltas
16) 79-Pedro Gomes (Old Stock), à 9 voltas
17) 59-Henrique Lambert/ José R. M. Oliveira (Old Stock), à 14 voltas
Melhor volta: Edson Souza/ Pedro Marques (28), 2:02,322 (média 126,816 km/h), 2ª volta (Fonte:  RACING CRONO)

2ª Prova 

 1) 64-Marcos Philippi (Old Stock), (15 voltas) 31:40,712
2) 72-Djalma Fogaça/ Fabio Fogaça (Old Stock), à 8,018 (acima)
3) 23-Victor Franzoni (Old Stock), à 8,582
4) 21-Everson de Paula (Old Stock), à 27,414
5) 25-Jorge Schuback (Old Stock), à 27,718 (acima)
6) 113-Rodrigo Helal (Old Stock), à 1:02,462
7) 9-Marco Maragno (Old Stock), à 1:48,207
8) 28-Edson Souza/ Pedro Marques (Old Stock), à 1 volta
9) 2-Alex Dimas (Old Stock), à 1 volta (acima)
10) 6-Dimas II/ Dimas III (Old Stock), à 1 volta
11) 8-Miguel Beux (Old Stock), à 1 volta
12) 11-Molly Robson/ Renan Guerra (Old Stock), à 7 voltas
13) 78-Arnaldo Santos (Old Stock), à 8 voltas
14) 71-Nelson Gomes Jr (Old Stock), à 10 voltas
15) 18-Georges Lemonias/ Felipe Lemonias (Old Stock), à 10 voltas
16) 43-Alcindo Moreira (Old Stock), à 10 voltas
Melhor volta: Marcos Philippi (64), 2:04,030 (média 125,069 km/h), 2ª volta
(Fonte: RACING CRONO)

Fotos e vídeo do blog Saloma Colection.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL E UM ÓTIMO 2016

Quero desejar aos amigos, que, ao longo destes quase 8 anos me acompanham neste blog, um ótimo natal, com muita saúde e prosperidade e que o ano de 2016 seja melhor do que este que está acabando.
 

sábado, 12 de dezembro de 2015

PEDRO PIQUET FAZ A POLE EM INTERLAGOS NA DESPEDIDA DO BRASIL

Pedro Piquet confirma em Interlagos 100% das poles na F3
Brasil
Bicampeão conquista sua primeira pole na F3 em São Paulo, com quase um segundo sobre o adversário mais próximo
A pole que faltava não falta mais.
Pela primeira vez na carreira na F3 Brasil, Pedro Piquet vai largar na posição de honra em Interlagos. De quebra, o bicampeão da categoria cravou sua oitava pole em oito etapas em 2015, fechando 100% de aproveitamento nos qualis.
A marca de Piquet com o carro #1 da Cesário F3 foi 1min27s614, com 0s986 de vantagem sobre o segundo no grid.
“Ano passado aqui em Interlagos não era o mais rápido e em Goiânia começou a chover na tomada. Mas neste ano fomos melhor em todas as classificações, algumas foram mais fáceis, algumas eu tive que forçar mais no segundo jogo de pneu para baixar o tempo. Mas isso mostra como estamos bem avançados em todos os quesitos. Interlagos é uma pista maravilhosa para andar, um autódromo muito bem cuidado, e estou feliz hoje com o que fizemos”, disse Piquet.
Interlagos é a única pista do calendário da F3 Brasil em que o brasiliense de 17 anos de idade ainda não venceu. Invicto na categoria desde 26 de abril, o piloto chegou de testes na Espanha na noite de quinta-feira e já parte de volta para a Europa depois da corrida de domingo, para mais treinos com o carro com que disputará a F3 Euro em 2016.
No sábado, a corrida 1 tem largada às 11h e, no domingo, a prova 2 larga às 16h35 com inversão das seis primeiras posições do grid. Os canais Sportv exibem a F3 Brasil.

sábado, 5 de dezembro de 2015

CHAPA "TRANSPARÊNCIA", PAULO AFONSO/PIQUET

Foi lançada hoje, na sede do VCB, a chapa "Transperência", para a presidência do Veteran Car Brasilia para o biênio 2016/2017, composta por Paulo Afonso, presidente, e Nelson Piquet, vice-presidente. 
A chapa "Transparência" nasceu da união de diversos associados apaixonados pelo clube que querem vê-lo novamente forte e consolidado, objetivando sempre o seu fortalecimento.
 

Luis, Nelson Piquet, Paulo Afonso e Braca
Jovino, Paulo Jansen, Catanha, Marcio Toscano, Nilo, Penta, Roberto Maurer, Nelson Piquet, Paulo Afonso, Braca, Barata, Marconi, Marconinho, Lucile e sua filha.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

SIMCAS ABARTHS NO BRASIL E SUAS CORRIDAS

Fundada em 5 de maio de 1958, a Simca do Brasil logo se interessaria pelas corridas de automóveis, consideradas à época como grande poder de marketing para os fabricantes de automóveis. 
 
 
 
Em 1960 foi criada uma categoria de carros Turismo Nacional, mais conhecida como Turismo GEIA, sigla que significava Grupo Executivo da Indústria Automobilística, grupo criado pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek para implementação da indústria no país.
Desde a primeira prova, dessa nova categoria, ocorrida em Brasília, por ocasião da inauguração da cidade, a Simca começou a participar embora, sem formar uma equipe devidamente estruturada.

A estruturação da equipe de competição começou nas Mil Milhas disputadas em 26 de novembro de 1961, quando três Simca Chambord pintados de vermelho e pilotados por Ciro Cayres/Danilo Lemos; Waldemyr Costa/Waldemar Costa Fº; e Jayme Silva/Lauro Bezerra participaram da prova.
Ciro Cayres chegou ocupar o segundo lugar, na parte final da prova, logo atrás do Corvette de Orlando Menegaz/Ítalo Bertão, que venceria a prova, mas problemas no filtro de óleo fizeram-no abandonar a corrida faltando menos de 20 voltas para o seu término.
 

Tendo George Perrot como Chefe do Departamento de Competições e Ciro Cayres e Jayme Silva como principais pilotos, a equipe passou a disputar regularmente as competições a partir de 1962, entretanto os carros fabricados no Brasil não eram os mais indicados para competição e, com exceção da vitória obtida pela “Carretera” de teto rebaixado nos 1600 Km de Interlagos de 1963, os resultados não eram dos melhores.
A partir de 1962 as principais corridas nacionais passaram a ser disputadas por carros Turismo e Grã-turismo nacionais e importados e os Interlagos, da equipe oficial da Willys, dominavam amplamente o automobilismo nacional.

Em 1964 começaram a ser importados novos carros. Primeiro foi o Porsche Carrera 2 de Marivaldo Fernandes; logo depois foi uma Alfa Romeo Giulia TIS de Piero Gancia; e em seguida um Fiat Abarth 850 TC de Eugênio Martins e Paulo Goulart.

A chegada desses novos carros, além de ameaçar a supremacia dos Interlagos, deixava os Simca em grande desvantagem.

Diante desse quadro, George Perrot convenceu o Presidente Jacques Pasteur a montar uma equipe realmente competitiva.

O primeiro passo foi construir um protótipo com mecânica do Simca nacional, a partir do chassi da Maserati 250F de Ciro Cayres, chamado de Simca TGT, que mais tarde seria conhecido como “Tempestade”, numa alusão às dificuldades de condução e ao Simca Tufão.
 

Paralelamente à construção do protótipo, Ciro Cayres e George Perrot foram para a França comprar três Abarth Simca 2000, carro esportivo que tinha sido lançado recentemente e que começava a ter seu desempenho destacado no automobilismo europeu.

Os Abarth eram carros muito bem construídos pelo renomado preparador de carros de corrida italiano Carlo Abarth. Com carroceria tipo berlineta, rodas de liga leve, novidade para a época, motor com cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, 2000 cm³, câmbio de 4 ou 6 marchas, tinha tudo para tornar-se sucesso no país.
Foram trazidos para o Brasil três desses carros, os chassis nºs 136/0080, 136/0085 e 136/0090, na condição de carros de teste, ou seja, deveriam permanecer no país por um determinado tempo e depois disso retornarem à origem.

Desde sua chegada, os carros foram envolvidos em polêmica sobre a forma como foram trazidos e a liberação alfandegária somente foi possível mediante liminar judicial.

A questão se transformou em uma “marca” que pesou sobre os carros durante o período de pouco mais de um ano que permaneceram no Brasil.
Muitos atribuem essa dificuldade a manobras da equipe Willys, que na época estava importando, para substituir o Interlagos, três Alpine A-110 com motor do Renault R-8 de 1.100 cc e que, com a vinda dos Abarth, teriam poucas chances.

Os Abarth estrearam nas 3 Horas de Velocidade, em Interlagos, no dia 30 de agosto de 1964. O carro de Ciro Cayres se apresentou com câmbio de 6 marchas e o de Jayme Silva de 4 marchas. Durante a corrida o que se viu em Interlagos foi um “passeio” dos dois carros vermelhos da equipe Simca. Ciro se manteve à frente, mas faltando cerca de 10 minutos para o final da corrida, teve que parar nos boxes para reparar as luzes traseiras que tinham apagado. Perdeu 3 minutos parado e a liderança para Jayme Silva no outro Abarth. Na última volta, Jayme Silva quase parou o seu carro no retão para esperar seu companheiro de equipe e receberem a bandeirada de chegada lado a lado, com ligeira vantagem para Jayme.

Os Interlagos demonstraram que não tinham a menor chance contra os novos carros da Simca. Nem Bird Clemente, com um desempenho próximo da perfeição, foi capaz de oferecer a mínima oposição, conseguindo apenas ficar na mesma volta dos líderes.

Uma semana depois os Abarth se apresentavam para a disputa dos 500 Km de Interlagos. Dessa feita os dois carros estavam equipados com câmbio de 4 marchas e pilotados por Jayme Silva e Fernando “Toco” Martins. Ciro Cayres preferiu competir com o Simca protótipo ao lado de Ubaldo Lolli, devendo se revezar também no Abarth de “Toco”.

Jayme Silva liderou a prova com grande facilidade até parar na 18ª volta com a quebra da transmissão. “Toco” assumiu a liderança sendo substituído por Ciro Cayres ao final da prova. Luiz Pereira Bueno foi o segundo colocado com três voltas de desvantagem para o vencedor enquanto que Bird Clemente, com um balancim do motor do seu Interlagos quebrado, foi apenas o quarto colocado.

Em novembro a equipe Simca ganhou um novo reforço: a contratação de Chico Landi para chefiar a equipe. A estréia de Landi aconteceu em 29 de novembro por ocasião da disputa da prova “6 Horas de Brasília”.

Foi uma prova tecnicamente muito pobre com a participação de apenas onze carros, entre eles os dois Abarth e o Simca protótipo.

Com toda essa facilidade, Chico Landi resolveu promover a vitória do carro nacional e com isso, apesar da superioridade dos Abarth, o vencedor acabou sendo o Simca TGT de Ciro Cayres e Ubaldo Lolli. Curiosamente, durante a prova, Jayme Silva chegou a parar seu carro no circuito, comprar e saborear um picolé, enquanto aguardava ser ultrapassado pelo carro de Ciro, para depois retornar.

Se o sucesso do carro nas pistas era total, as dificuldades burocráticas quanto à permanência no país continuavam.
 

Independentemente disso, os Abarth se apresentaram novamente em Brasília, em abril de 1965 para a disputada da prova de 12 Horas. Prevista para acontecer na madrugada de sábado para domingo, a corrida somente foi realizada de segunda para terça-feira depois de uma luta judicial entre o Automóvel Clube do Brasil e a Confederação Brasileira de Automobilismo.

Durante a prova os dois Abarth não tiveram adversários e se impuseram aos demais participantes, ocupando os dois primeiro lugares durante a primeira hora de corrida, quando o carro de número 44 começou a enfrentar problemas com o dínamo (naquela época ainda não existiam os atuais alternadores de voltagem nos carros), sendo obrigado a parar constantemente para trocar a bateria.

Quando o dia clareou, sem precisar dos faróis, a bateria passou a ser menos exigida e com isso o Abarth começou sua recuperação, quebrando constantemente o recorde de volta. Porém acabou terminando a prova na terceira posição. O vencedor foi o Abarth de Jayme Silva/”Toco” Martins, o segundo colocado o Interlagos de Wilson Fittipaldi Jr./Bird Clemente/Luís Pereira Bueno/José Carlos Pace com cinco voltas de atraso e, o terceiro, o Abarth de Ciro Cayres/Ubaldo Lolli, uma volta atrás.
 
 
No dia 16 de maio os Abarth estavam presentes aos “500 Km da Guanabara”, prova disputada no circuito da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro.
Mais uma vez, no carro nº 26 estavam Jayme Silva/Fernando “Toco” Martins e no nº 44 Ciro Cayres/Ubaldo Lolli. O Simca TGT seria conduzido por Ciro Cayres/Jayme Silva/Pedro Jaú.

Na corrida estavam presentes os novos DKW Malzoni e o Alpine A-110, ainda equipado com motor de 1.100 cc.

A largada aconteceu debaixo de chuva e, ao final de quase 4 horas e meia de corrida, para surpresa geral, o vencedor foi o Simca TGT, ficando o Abarth nº 26 em segundo, duas voltas atrás. O 44 abandonou com seu crônico problema de transmissão.

Uma semana depois foi disputada a prova 12 Horas de Interlagos. Nessa corrida o Abarth de Jayme Silva/Fernando “Toco” Martins, mesmo sofrendo com os buracos da pista de Interlagos, manteve a sua superioridade, enquanto que o carro nº 44 sucumbia com a suspensão quebrada.
Em 6 de junho os dois Abarth foram levados para disputar a II Etapa do Campeonato Carioca no circuito da Ilha do Fundão.

Com apenas 6 carros na prova, registrou-se a vitória do carro nº 44 de Ciro Cayres. Dessa vez foi o nº 26 que apresentou problemas de transmissão e teve que abandonar.
 

No dia 20 de junho de 1965 foi disputada a prova “6 Horas de Interlagos”. Essa competição era disputada em três baterias de duas horas com a soma dos tempos indicando o vencedor final.

A primeira bateria foi, como de costume, totalmente dominada pelos dois Abarth com Ciro Cayres chegando em primeiro e Jayme Silva em segundo.

Embora tenha liderado a maior parte da segunda bateria, Ciro Cayres acabou abandonando com cerca de uma hora de corrida com problemas de transmissão. Assim, Jayme venceu as duas baterias à frente de um ameaçador DKW Malzoni pilotado por Marinho Camargo.

Em 1965 o terceiro Abarth da equipe foi modificado, se nacionalizando com a substituição do motor original por um motor do Simca Tufão brasileiro. Segundo nos informou Fernando “Toco” Martins, o presidente da Simca do Brasil, Jacques Pasteur, não queria que os três carros corressem juntos e a forma de colocá-los para correr era efetuando sua modificação para competir na categoria de protótipos. Imaginem a dificuldade para substituir um motor 4 cilindros por um V-8, embora de baixa cilindrada, mas que ocupava, evidentemente, mais espaço que o original. O câmbio foi substituído por um de Volkswagen e a frente ganhou uma abertura maior para permitir melhor refrigeração.
 

A estréia do carro aconteceu no dia 15/08/1965 no “GP Rodovia do Café”, prova organizada por ocasião da inauguração da rodovia que ligava Curitiba a Apucarana, no Paraná.

Disputada em duas etapas, a ida de Curitiba a Apucarana e o retorno, cada uma com pouco mais de 350 quilômetros, teve a participação dos dois Abarth Simca 2000, do Simca TGT e do Abarth Tufão que foi pilotado pelo Chefe do Departamento de Competições da fábrica George Perrot.

No trecho de Curitiba/Apucarana, disputada debaixo de chuva, os dois Abarth Simca deram um show de velocidade, com Jayme Silva em primeiro e Ubaldo Lolli em segundo e o Simca TGT em terceiro. O Abarth Tufão foi apenas o 35º, tendo parado diversas vezes durante o percurso. Na volta, enquanto Jayme vencia com média de 160,646 km/hora, Ubaldo Lolli abandonava no quilômetro 140 com a quebra da transmissão. Na soma dos dois trechos, Jayme ficou em primeiro e Ciro Cayres, no Simca TGT, em 2º. George Perrot com o Abarth Tufão enfrentou diversos problemas, mas mesmo assim terminou a prova na 25ª colocação.

Com o prazo de um ano de permanência dos carros no país vencido, o fisco apertou o cerco. Com isso, no Circuito de Vitória, disputado na Capital Capixaba, apenas o Abarth de Jayme Silva, mediante liminar, esteve presente e venceu a prova, como sempre com grande facilidade, ficando Ciro Cayres em segundo no Simca Tempestade (TGT).

Para a prova, que seria considerada a mais importante do ano, o “GP do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro”, disputada no circuito da Barra da Tijuca no dia 19/09, os carros somente foram liberados na véspera, novamente mediante liminar judicial.

GPdo IV Centenário do Rio de Janeiro, 1965
Assim se apresentaram para a largada os três Abarth: os dois com motor 2000 e o equipado com motor Simca Tufão.

A principal atração da prova foi a Ferrari 250 TR, com carroceria modificada por Piero Drusio, na Itália, para GTO-Drogo, que seria pilotada por Camillo Christófaro.
 

Camillo largou na pole-position enquanto que os carros da Simca largavam nas últimas posições entre 40 carros, pelo fato de não terem participado dos treinos de classificação.
 

Jayme no carro nº 26 e Ciro no nº 44 logo se juntaram à Ferrari e os três passaram a disputar as primeiras colocações da prova. “Toco” no Abarth Tufão vinha escalando o pelotão e já estavam bem posicionado porém, acabou capotando na curva do Corsário e ficou fora da prova.

Na 34ª volta Ciro teve que abandonar, com o flexível do óleo rompido e com isso Jayme liderava com confortável vantagem sobre Camillo até que, faltando 3 voltas para o final, o Abarth perdeu uma roda dianteira, entregando a vitória para a Ferrari de Camillo Christófaro.

A despedida dos Abarth das pistas nacionais aconteceu no dia 31 de outubro com a disputa dos “500 Km de Interlagos”.

Mais uma vez os carros só foram liberados pela justiça na véspera da corrida comparecendo para a largada no domingo apenas o Abarth Simca 2000 de Jayme Silva e o Abarth Tufão com Ciro Cayres, ambos largando nas últimas posições.

Rapidamente os dois carros escalaram o pelotão com Jayme assumindo a liderança e Ciro Cayres abandonando depois de 12 voltas, quando ocupava a 3ª colocação e se aproximava da Maserati de Ubaldo Lolli, que ocupava o segundo lugar. Jayme Silva manteve a liderança até o final da prova.

Finalmente o representante da Simca firmou compromisso com a alfândega para que os carros retornassem à Europa.

Nessa época a Simca do Brasil estava passando o seu controle acionário para a Chrysler e esta não demonstrou interesse em manter os carros no país. Por outro lado, o controle da Simca francesa estava passando para a Talbot, o que causou um vácuo de desinteresse de ambos os lados.

Chico Landi ainda tentou uma jogada fazendo com que um piloto peruano se interessasse pelos carros tentando embarcá-los para aquele país para depois retornarem ao Brasil. Entretanto, a manobra não deu certo e os carros foram parar num porto italiano onde permaneceram por longo tempo até serem resgatados por um colecionador.

Segundo informações os carros encontram-se atualmente nos Estados Unidos.

RELAÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES DOS ABARTH SIMCA EM CORRIDAS NACIONAIS:
 
DATAPROVACIRCUITOPILOTOSCOL
30/08/19643 Horas de VelocidadeInterlagos26Jayme Silva
44Ciro Cayres
07/09/1964500 Km de InterlagosInterlagos62Fernando Toco Martins/Ciro Cayres
26Jayme Silva17º/AB
29/11/19646 Horas de BrasíliaEixo Rodoviário26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Fernando Toco Martins/Marivaldo Fernandes
26/04/196512 Horas de BrasíliaEixo Rodoviário26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayres/Ubaldo Lolli
16/05/1965500 Km da GuanabaraBarra da Tijuca26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayes/Ubaldo LolliAB
23/05/196512 Horas de InterlagosInterlagos26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayres Ubaldo Lolli14º/AB
05/06/1965Campeonato CariocaIlha do Fundão44Ciro Cayres
26Jayme Silva4º/AB
20/06/19656 Horas de InterlagosInterlagos26Jayme Silva
44Ciro Cayres15º/AB
15/08/1965GP Rodovia do CaféCuritiba-Apucarana-Curitiba26Jayme Silva
44Ubaldo Lolli32º/AB
83George Perrot (Abarth Tufão)25º
08/09/1965Circuito de VitóriaVitória - ES26Jayme Silva
19/09/1965GP IV Centenário do Rio de JaneiroBarra da Tijuca26Jayme Silva4º/AB
44Ciro CayresAB
83Fernando Toco Martins (Abarth Tufão)AB
31/10/1965500 Km de InterlagosInterlagos26Jayme Silva
83Ciro Cayres (Abarth Tufão)14º/AB
  A matéria e os resultados são do historiador Napoleão Ribeiro