terça-feira, 1 de dezembro de 2015

SIMCAS ABARTHS NO BRASIL E SUAS CORRIDAS

Fundada em 5 de maio de 1958, a Simca do Brasil logo se interessaria pelas corridas de automóveis, consideradas à época como grande poder de marketing para os fabricantes de automóveis. 
 
 
 
Em 1960 foi criada uma categoria de carros Turismo Nacional, mais conhecida como Turismo GEIA, sigla que significava Grupo Executivo da Indústria Automobilística, grupo criado pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek para implementação da indústria no país.
Desde a primeira prova, dessa nova categoria, ocorrida em Brasília, por ocasião da inauguração da cidade, a Simca começou a participar embora, sem formar uma equipe devidamente estruturada.

A estruturação da equipe de competição começou nas Mil Milhas disputadas em 26 de novembro de 1961, quando três Simca Chambord pintados de vermelho e pilotados por Ciro Cayres/Danilo Lemos; Waldemyr Costa/Waldemar Costa Fº; e Jayme Silva/Lauro Bezerra participaram da prova.
Ciro Cayres chegou ocupar o segundo lugar, na parte final da prova, logo atrás do Corvette de Orlando Menegaz/Ítalo Bertão, que venceria a prova, mas problemas no filtro de óleo fizeram-no abandonar a corrida faltando menos de 20 voltas para o seu término.
 

Tendo George Perrot como Chefe do Departamento de Competições e Ciro Cayres e Jayme Silva como principais pilotos, a equipe passou a disputar regularmente as competições a partir de 1962, entretanto os carros fabricados no Brasil não eram os mais indicados para competição e, com exceção da vitória obtida pela “Carretera” de teto rebaixado nos 1600 Km de Interlagos de 1963, os resultados não eram dos melhores.
A partir de 1962 as principais corridas nacionais passaram a ser disputadas por carros Turismo e Grã-turismo nacionais e importados e os Interlagos, da equipe oficial da Willys, dominavam amplamente o automobilismo nacional.

Em 1964 começaram a ser importados novos carros. Primeiro foi o Porsche Carrera 2 de Marivaldo Fernandes; logo depois foi uma Alfa Romeo Giulia TIS de Piero Gancia; e em seguida um Fiat Abarth 850 TC de Eugênio Martins e Paulo Goulart.

A chegada desses novos carros, além de ameaçar a supremacia dos Interlagos, deixava os Simca em grande desvantagem.

Diante desse quadro, George Perrot convenceu o Presidente Jacques Pasteur a montar uma equipe realmente competitiva.

O primeiro passo foi construir um protótipo com mecânica do Simca nacional, a partir do chassi da Maserati 250F de Ciro Cayres, chamado de Simca TGT, que mais tarde seria conhecido como “Tempestade”, numa alusão às dificuldades de condução e ao Simca Tufão.
 

Paralelamente à construção do protótipo, Ciro Cayres e George Perrot foram para a França comprar três Abarth Simca 2000, carro esportivo que tinha sido lançado recentemente e que começava a ter seu desempenho destacado no automobilismo europeu.

Os Abarth eram carros muito bem construídos pelo renomado preparador de carros de corrida italiano Carlo Abarth. Com carroceria tipo berlineta, rodas de liga leve, novidade para a época, motor com cabeçote de alumínio, duplo comando de válvulas, 2000 cm³, câmbio de 4 ou 6 marchas, tinha tudo para tornar-se sucesso no país.
Foram trazidos para o Brasil três desses carros, os chassis nºs 136/0080, 136/0085 e 136/0090, na condição de carros de teste, ou seja, deveriam permanecer no país por um determinado tempo e depois disso retornarem à origem.

Desde sua chegada, os carros foram envolvidos em polêmica sobre a forma como foram trazidos e a liberação alfandegária somente foi possível mediante liminar judicial.

A questão se transformou em uma “marca” que pesou sobre os carros durante o período de pouco mais de um ano que permaneceram no Brasil.
Muitos atribuem essa dificuldade a manobras da equipe Willys, que na época estava importando, para substituir o Interlagos, três Alpine A-110 com motor do Renault R-8 de 1.100 cc e que, com a vinda dos Abarth, teriam poucas chances.

Os Abarth estrearam nas 3 Horas de Velocidade, em Interlagos, no dia 30 de agosto de 1964. O carro de Ciro Cayres se apresentou com câmbio de 6 marchas e o de Jayme Silva de 4 marchas. Durante a corrida o que se viu em Interlagos foi um “passeio” dos dois carros vermelhos da equipe Simca. Ciro se manteve à frente, mas faltando cerca de 10 minutos para o final da corrida, teve que parar nos boxes para reparar as luzes traseiras que tinham apagado. Perdeu 3 minutos parado e a liderança para Jayme Silva no outro Abarth. Na última volta, Jayme Silva quase parou o seu carro no retão para esperar seu companheiro de equipe e receberem a bandeirada de chegada lado a lado, com ligeira vantagem para Jayme.

Os Interlagos demonstraram que não tinham a menor chance contra os novos carros da Simca. Nem Bird Clemente, com um desempenho próximo da perfeição, foi capaz de oferecer a mínima oposição, conseguindo apenas ficar na mesma volta dos líderes.

Uma semana depois os Abarth se apresentavam para a disputa dos 500 Km de Interlagos. Dessa feita os dois carros estavam equipados com câmbio de 4 marchas e pilotados por Jayme Silva e Fernando “Toco” Martins. Ciro Cayres preferiu competir com o Simca protótipo ao lado de Ubaldo Lolli, devendo se revezar também no Abarth de “Toco”.

Jayme Silva liderou a prova com grande facilidade até parar na 18ª volta com a quebra da transmissão. “Toco” assumiu a liderança sendo substituído por Ciro Cayres ao final da prova. Luiz Pereira Bueno foi o segundo colocado com três voltas de desvantagem para o vencedor enquanto que Bird Clemente, com um balancim do motor do seu Interlagos quebrado, foi apenas o quarto colocado.

Em novembro a equipe Simca ganhou um novo reforço: a contratação de Chico Landi para chefiar a equipe. A estréia de Landi aconteceu em 29 de novembro por ocasião da disputa da prova “6 Horas de Brasília”.

Foi uma prova tecnicamente muito pobre com a participação de apenas onze carros, entre eles os dois Abarth e o Simca protótipo.

Com toda essa facilidade, Chico Landi resolveu promover a vitória do carro nacional e com isso, apesar da superioridade dos Abarth, o vencedor acabou sendo o Simca TGT de Ciro Cayres e Ubaldo Lolli. Curiosamente, durante a prova, Jayme Silva chegou a parar seu carro no circuito, comprar e saborear um picolé, enquanto aguardava ser ultrapassado pelo carro de Ciro, para depois retornar.

Se o sucesso do carro nas pistas era total, as dificuldades burocráticas quanto à permanência no país continuavam.
 

Independentemente disso, os Abarth se apresentaram novamente em Brasília, em abril de 1965 para a disputada da prova de 12 Horas. Prevista para acontecer na madrugada de sábado para domingo, a corrida somente foi realizada de segunda para terça-feira depois de uma luta judicial entre o Automóvel Clube do Brasil e a Confederação Brasileira de Automobilismo.

Durante a prova os dois Abarth não tiveram adversários e se impuseram aos demais participantes, ocupando os dois primeiro lugares durante a primeira hora de corrida, quando o carro de número 44 começou a enfrentar problemas com o dínamo (naquela época ainda não existiam os atuais alternadores de voltagem nos carros), sendo obrigado a parar constantemente para trocar a bateria.

Quando o dia clareou, sem precisar dos faróis, a bateria passou a ser menos exigida e com isso o Abarth começou sua recuperação, quebrando constantemente o recorde de volta. Porém acabou terminando a prova na terceira posição. O vencedor foi o Abarth de Jayme Silva/”Toco” Martins, o segundo colocado o Interlagos de Wilson Fittipaldi Jr./Bird Clemente/Luís Pereira Bueno/José Carlos Pace com cinco voltas de atraso e, o terceiro, o Abarth de Ciro Cayres/Ubaldo Lolli, uma volta atrás.
 
 
No dia 16 de maio os Abarth estavam presentes aos “500 Km da Guanabara”, prova disputada no circuito da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro.
Mais uma vez, no carro nº 26 estavam Jayme Silva/Fernando “Toco” Martins e no nº 44 Ciro Cayres/Ubaldo Lolli. O Simca TGT seria conduzido por Ciro Cayres/Jayme Silva/Pedro Jaú.

Na corrida estavam presentes os novos DKW Malzoni e o Alpine A-110, ainda equipado com motor de 1.100 cc.

A largada aconteceu debaixo de chuva e, ao final de quase 4 horas e meia de corrida, para surpresa geral, o vencedor foi o Simca TGT, ficando o Abarth nº 26 em segundo, duas voltas atrás. O 44 abandonou com seu crônico problema de transmissão.

Uma semana depois foi disputada a prova 12 Horas de Interlagos. Nessa corrida o Abarth de Jayme Silva/Fernando “Toco” Martins, mesmo sofrendo com os buracos da pista de Interlagos, manteve a sua superioridade, enquanto que o carro nº 44 sucumbia com a suspensão quebrada.
Em 6 de junho os dois Abarth foram levados para disputar a II Etapa do Campeonato Carioca no circuito da Ilha do Fundão.

Com apenas 6 carros na prova, registrou-se a vitória do carro nº 44 de Ciro Cayres. Dessa vez foi o nº 26 que apresentou problemas de transmissão e teve que abandonar.
 

No dia 20 de junho de 1965 foi disputada a prova “6 Horas de Interlagos”. Essa competição era disputada em três baterias de duas horas com a soma dos tempos indicando o vencedor final.

A primeira bateria foi, como de costume, totalmente dominada pelos dois Abarth com Ciro Cayres chegando em primeiro e Jayme Silva em segundo.

Embora tenha liderado a maior parte da segunda bateria, Ciro Cayres acabou abandonando com cerca de uma hora de corrida com problemas de transmissão. Assim, Jayme venceu as duas baterias à frente de um ameaçador DKW Malzoni pilotado por Marinho Camargo.

Em 1965 o terceiro Abarth da equipe foi modificado, se nacionalizando com a substituição do motor original por um motor do Simca Tufão brasileiro. Segundo nos informou Fernando “Toco” Martins, o presidente da Simca do Brasil, Jacques Pasteur, não queria que os três carros corressem juntos e a forma de colocá-los para correr era efetuando sua modificação para competir na categoria de protótipos. Imaginem a dificuldade para substituir um motor 4 cilindros por um V-8, embora de baixa cilindrada, mas que ocupava, evidentemente, mais espaço que o original. O câmbio foi substituído por um de Volkswagen e a frente ganhou uma abertura maior para permitir melhor refrigeração.
 

A estréia do carro aconteceu no dia 15/08/1965 no “GP Rodovia do Café”, prova organizada por ocasião da inauguração da rodovia que ligava Curitiba a Apucarana, no Paraná.

Disputada em duas etapas, a ida de Curitiba a Apucarana e o retorno, cada uma com pouco mais de 350 quilômetros, teve a participação dos dois Abarth Simca 2000, do Simca TGT e do Abarth Tufão que foi pilotado pelo Chefe do Departamento de Competições da fábrica George Perrot.

No trecho de Curitiba/Apucarana, disputada debaixo de chuva, os dois Abarth Simca deram um show de velocidade, com Jayme Silva em primeiro e Ubaldo Lolli em segundo e o Simca TGT em terceiro. O Abarth Tufão foi apenas o 35º, tendo parado diversas vezes durante o percurso. Na volta, enquanto Jayme vencia com média de 160,646 km/hora, Ubaldo Lolli abandonava no quilômetro 140 com a quebra da transmissão. Na soma dos dois trechos, Jayme ficou em primeiro e Ciro Cayres, no Simca TGT, em 2º. George Perrot com o Abarth Tufão enfrentou diversos problemas, mas mesmo assim terminou a prova na 25ª colocação.

Com o prazo de um ano de permanência dos carros no país vencido, o fisco apertou o cerco. Com isso, no Circuito de Vitória, disputado na Capital Capixaba, apenas o Abarth de Jayme Silva, mediante liminar, esteve presente e venceu a prova, como sempre com grande facilidade, ficando Ciro Cayres em segundo no Simca Tempestade (TGT).

Para a prova, que seria considerada a mais importante do ano, o “GP do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro”, disputada no circuito da Barra da Tijuca no dia 19/09, os carros somente foram liberados na véspera, novamente mediante liminar judicial.

GPdo IV Centenário do Rio de Janeiro, 1965
Assim se apresentaram para a largada os três Abarth: os dois com motor 2000 e o equipado com motor Simca Tufão.

A principal atração da prova foi a Ferrari 250 TR, com carroceria modificada por Piero Drusio, na Itália, para GTO-Drogo, que seria pilotada por Camillo Christófaro.
 

Camillo largou na pole-position enquanto que os carros da Simca largavam nas últimas posições entre 40 carros, pelo fato de não terem participado dos treinos de classificação.
 

Jayme no carro nº 26 e Ciro no nº 44 logo se juntaram à Ferrari e os três passaram a disputar as primeiras colocações da prova. “Toco” no Abarth Tufão vinha escalando o pelotão e já estavam bem posicionado porém, acabou capotando na curva do Corsário e ficou fora da prova.

Na 34ª volta Ciro teve que abandonar, com o flexível do óleo rompido e com isso Jayme liderava com confortável vantagem sobre Camillo até que, faltando 3 voltas para o final, o Abarth perdeu uma roda dianteira, entregando a vitória para a Ferrari de Camillo Christófaro.

A despedida dos Abarth das pistas nacionais aconteceu no dia 31 de outubro com a disputa dos “500 Km de Interlagos”.

Mais uma vez os carros só foram liberados pela justiça na véspera da corrida comparecendo para a largada no domingo apenas o Abarth Simca 2000 de Jayme Silva e o Abarth Tufão com Ciro Cayres, ambos largando nas últimas posições.

Rapidamente os dois carros escalaram o pelotão com Jayme assumindo a liderança e Ciro Cayres abandonando depois de 12 voltas, quando ocupava a 3ª colocação e se aproximava da Maserati de Ubaldo Lolli, que ocupava o segundo lugar. Jayme Silva manteve a liderança até o final da prova.

Finalmente o representante da Simca firmou compromisso com a alfândega para que os carros retornassem à Europa.

Nessa época a Simca do Brasil estava passando o seu controle acionário para a Chrysler e esta não demonstrou interesse em manter os carros no país. Por outro lado, o controle da Simca francesa estava passando para a Talbot, o que causou um vácuo de desinteresse de ambos os lados.

Chico Landi ainda tentou uma jogada fazendo com que um piloto peruano se interessasse pelos carros tentando embarcá-los para aquele país para depois retornarem ao Brasil. Entretanto, a manobra não deu certo e os carros foram parar num porto italiano onde permaneceram por longo tempo até serem resgatados por um colecionador.

Segundo informações os carros encontram-se atualmente nos Estados Unidos.

RELAÇÃO DAS PARTICIPAÇÕES DOS ABARTH SIMCA EM CORRIDAS NACIONAIS:
 
DATAPROVACIRCUITOPILOTOSCOL
30/08/19643 Horas de VelocidadeInterlagos26Jayme Silva
44Ciro Cayres
07/09/1964500 Km de InterlagosInterlagos62Fernando Toco Martins/Ciro Cayres
26Jayme Silva17º/AB
29/11/19646 Horas de BrasíliaEixo Rodoviário26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Fernando Toco Martins/Marivaldo Fernandes
26/04/196512 Horas de BrasíliaEixo Rodoviário26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayres/Ubaldo Lolli
16/05/1965500 Km da GuanabaraBarra da Tijuca26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayes/Ubaldo LolliAB
23/05/196512 Horas de InterlagosInterlagos26Jayme Silva/Fernando Toco Martins
44Ciro Cayres Ubaldo Lolli14º/AB
05/06/1965Campeonato CariocaIlha do Fundão44Ciro Cayres
26Jayme Silva4º/AB
20/06/19656 Horas de InterlagosInterlagos26Jayme Silva
44Ciro Cayres15º/AB
15/08/1965GP Rodovia do CaféCuritiba-Apucarana-Curitiba26Jayme Silva
44Ubaldo Lolli32º/AB
83George Perrot (Abarth Tufão)25º
08/09/1965Circuito de VitóriaVitória - ES26Jayme Silva
19/09/1965GP IV Centenário do Rio de JaneiroBarra da Tijuca26Jayme Silva4º/AB
44Ciro CayresAB
83Fernando Toco Martins (Abarth Tufão)AB
31/10/1965500 Km de InterlagosInterlagos26Jayme Silva
83Ciro Cayres (Abarth Tufão)14º/AB
  É um trabalho de pesquisa e colaboração de Napoleão Ribeiro

8 comentários:

  1. O churrio de besteiras elencado é robusto.Farei algumas correções em tópicos,a seguir:
    - Pasteur era um encostado em Poissy.Perguntaram se êle queria ir pro Brasil e êle disse que sim.Lê-se no seu epitáfio o mesmo que no do saudoso Pedro Aleixo - Eu, Pedro Aleixo,nada fiz nada deixo - O tal do Perrot era discípulo fiel.
    - Em 62, o Pigozzi vende 20% da SIMCA para a Chrysler,com put de compra do restante das ações num prazo de até 10 anos.
    Em 1964 o Pigozzi morre num acidente e a Chrysler exerce o put de compra da Simca e concomitantemente compra um pedaço do Grupo Rootes inglês,comprando o restante em 1967.
    Essas cagadas,são a construção da falência da Chrysler pela primeira vez em 1981.A segunda foi em 2007,quando a Mercedes já tinha se desfeito da emprêsa,que vendeu por HUM dólar para o fundo Cerberus.Hoje a Chrysler (especialmente a marca Jeep) é a única fonte de lucros da FCA.
    - Corretamente relatam a ida de Cayres/Perrot para a França,pois os carros foram vendidos pela Abarth France (as placas de identificação dos 3 carros,que eu vi os três,são da Abarth France.
    Foram comprados pela S.I.M.C.A francesa e cedidos em comodato a Simca do Brasil.Os carros foram importados em regime de Importação Temporária pela Simca do Brasil pelo período de um ano da data do desembarque, como reza a legislação até hoje.Nunca houve o menor problema no desembaraço dos carros quando chegaram no Brasil.
    Foi apenas na saída obrigatória após 12 meses,que o Landi pediu uma liminar para extender o prazo por alguns dias para fazer a corrida no Quarto Centenário do Rio,no atêrro do flamengo.
    - O Tempestade é fruto de um crime que foi a deformação de ums Maserati 200S do Cayres,pra levar o vetusto V8 Ford 2.3L de 1937 (feito na França pela Ford France,que vendeu tôda a sua operação para o Pigozzi em 1953/4.)
    O carro era uma merda,não tinha nenhum sentido e é o reflexo do que era o departamento de competições da Simca comandado pela dupla Perrot/Pasteur,que eram dois merdas,na acepção cromática,aromática e de consistência da palavra merda.
    - Digressões: o Abarth do Goulart era um 1000TC e não 850.Confira com o Wilsinho que correu com êsse carro.
    O Porsche 356 Carrera 2 de 1963 do Marivaldo,era completamente standard,com rádio inclusive e o motor de sòmente 130 hp.
    As duas Alfa Giulia TI Super da Jolly,são ambas fabricadas em1963.
    - As Abarth sobravam tanto na turma da época,que conseguiam fazer corridas longas e chegar,apesar de sua extrema fragilidade pois andavam literalmente na metade do seu potencial.Era ridículo e certamente deixava a Willys (que usava carros de rallye pra correr em pista)puta da vida.
    - Uma Abarth tinha caixa de 6 e as outras de 4.O projeto da caixa de 6 era de um austríaco amigo do Carlo,e era uma bosta além de pesar mais do que o carro.
    - Os carros só corriam em dupla para que um ficasse disponível nos boxes para ser canibalizado.O estoque de repuestos era mais que limitado.
    - O tal do Toco,que guiava menos que o Stevie Wonder,fudeu com um dos carros capotando no S da Barra e arrebentando o motor todo.Pegaram o carro batido,alongaram o chassis e enfiaram um V8 flathead amarrado numa caixa de Kombi.Essa era
    a extraordinária capacidade de engenharia da Simca do Brasil,uma vez que não havia mais verba para trazer peças pois a Chrysler já estava tomando pé na emprêsa.
    - Os números de chassis estão corretos.Um carro está perto de Zug na Suíça,espetacularmente restaurado.Um segundo está em Milão com o cara que tem o carro desde que comprou em Genôva num leilão da aduana italiana em 1968, e nunca mexeu no carro.O outro,que era o esticado,foi restaurado com motor e caixa originais,mas mantida a cauda longa.Era de um dentista de Padova.Quando fui ver o carro,o cara me desenrolou um estória de que o rabo comprido era um protótipo de fábrica e por aí vai.Mandei fotos do carro capotando e da cagada que fizeram no carro para enfiar o V8. O sujeito nunca mais falou comigo.
    - Nunca,em tempo algum,nenhum dos três carros pisou nos EUA.

    Concluo no comentário seguinte.

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  2. Concluindo, por questões de tamanho de texto...

    Falei há uns 8-10 anos atrás com o tal do Toco,que já estava completamente senil e por conseqüência,não aprendi nada com o sujeito.
    - uma curiosidade: o Simca Abarth Duemila só é feito em um período que vai de meados de 63 ao comêço de 64, quando o acôrdo com a Simca não é renovado.
    A versão 1965, chama-se Abarth Duemila e é fácil,ente reconhecível pelo capot dianteiro que se funde aos paralamas e abre todo para a frente,como no Jaguar XK-E.
    O carro nunca teve PORRA NENHUMA de Simca.Só se chamou Simca por acôrdo comercial que levou a Simca a vender os Simca 1000 de rua (aliás projeto integralmente feito pela Fiat e rejeitado pelo departamento de produção em favor do projetoFiat 850)nas versões esportivas 1150 e 1300 modificadas e levando o nome Abarth.
    Paro aqui pois sinto forte esgarçamento na tez do escroto.

    Franco Patria

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  3. Esse texto do Franco Pátria me lembra os manifestos do Roberto Zullino. Jovino, belo trabalho de resgate. Parabéns.

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    2. Wagner, em 64 eu tinha entre 8 e 9 anos de idade. Portanto, não vivi esta época dos Abarths no Brasil. O trabalho foi de pesquisa da passagem destes carro por aqui. Houve muita polêmica e desinformação do destino dele. O Franco Patrio, que não conheço, apesar de sua forma um pouco Zulliniana, trouxe uma contribuição muito boa para a história destes carros, porque ele tem conhecimento técnico e deve ter vivido tudo isto. Jovino.

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