quinta-feira, 24 de abril de 2014

CORRIDA DA DEMOLIÇÃO EM BRASÍLIA


Nos anos 80 o automobilismo brasiliense ainda era forte e com duas categorias que faziam sucesso, a TFL (Turismo Força Livre) e a Hot Dodge, que reuniam os Dodges Darts.
Mas com o decorrer dos anos e com os custos que aumentavam em função da liberação de muitos itens de preparação dos carros, a Hot Dodge começou a dar sinais de fim porque a quantidade de carros foram diminuindo e em 1985 foi o último ano desta categoria tão popular em Brasília.
Mas o pior viria a acontecer algum tempo depois: sem saber o destino que se daria para os carros, muitos deles, já bem dilacerados pelos anos de competição, e os combustíveis que eram caros e a não viabilização do seu uso diário por conta das grandes cilindradas, (Dodges, Mavericks e Galáxies), e o seu consequente alto consumo de combustíveis (só para citar os nacionais) somando-se a isto tudo a falta de conscientização da preservação da história destes Muscles Cars nacionais, um empresário brasiliense resolveu criar a corrida da demolição, que eram realizadas no autódromo Nelson Piquet, e aí acabou sendo o destino de muito deles.
Na época, o meu irmão e o seu sócio tinham uma reguladora na asa norte (Reguladora Nippon), que acabou sendo preparadora de alguns destes carros, principalmente, o do Luiz Cesarino, que foi piloto da Hot Dodge também, e que aparece na foto mais abaixo.
A preparação consistia em encher as portas do piloto e do passageiro de cimento, retirando todos os vidros dos carros, mudando a posição do radiador para a lateral ao lado do motor, além do santo antônio que foram usados posts de iluminação que eram bem mais grossos do que os construídos normalmente para competição.
Lembro de três pilotos e que competiam no automobilismo brasiliense que participaram destas provas: o Luiz Cesarino, que correu na Hot Dodge, o Beto Fazenda, que foi o último campeão da Hot Dodge e recordista da pista e o Wilson Cruz que correu na TFL.
A última prova foi ali no gramado à direita do final da reta oposta e o vencedor da prova foi o Wilson Cruz com um Dodge 4 portas preto. Lembro que o do Beto Fazenda veio pintado nas cores do Exército e fazendo uma homenagem ao General Lee.
A pancadaria rolava solta e os pilotos engatavam a ré para atingir o seu oponente com a sua traseira, de preferência, na sua dianteira para estourar o radiador e assim fazer com que o carro parasse causando a sua eliminação.
Como acontecia na época da Hot Dodge, o público enchia o autódromo, para verem as derrapadas e saídas de pistas dos Dodges, o que acabou acontecendo também na corrida da demolição, dando um final triste a muitos dos Muscles Cars brasileiros.
As fotos, com exceção da última, foram retiradas da pagina do face Book dos Antigomobilistas de Brasília.
 O pilot de branco à esquerda é o Luiz Cesarino, um dos participantes.
 O Guincho ali é bem conhecido na asa norte e existe até hoje com motorzão do Dodge.
E aí o triste fim de um dos Dodges.
 
Abaixo, o piloto Luiz Cesarino (o Hulk, ou John Bonham) que participou também da corrida de demolição.

3 comentários:

  1. Li matérias, documentários, sobre o que aconteceu com esses carros nos anos 80... Malditos Demolicar!! Sucumbiram muitos Dodges, enfim, a maioria dos V8. Não sei onde estavam com a cabeça para fazerem isso na época, lamentável. A Chrysler, para mim, vacilou querer implantar produção aqui no Brasil. Não se pode comparar nunca com os EUA, por exemplo, onde lá são todos os carros V6, V8. Aqui não é um país desenvolvido, de primeiro mundo, então.

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