A primeira prova foi uma preparatória, antes do início do campeonato paulista, com um Fiat 600, equipado com um motor de 633cc e que terminou em 8º na geral, sendo o 2º para carros com motores de menos de 750cc, no dia 16 de maio de 1954. Na prova de abertura do certame, dia 11 de julho foi o 4º na geral, sendo o vencedor na sua categoria.
Apesar da vitória e de outras provas disputadas, era difícil engolir o carros mais potentes passando por ele durante as corridas. Assim, logo passou a competir com um carro motor de 1.1 litro. Contudo, foi apenas em 1957 que foi desenvolvido na sua garagem um carro que seria o terror da categoria T 2.0. Era o Fiat Fulgor, com um motor de 1089cc, mas que era um verdadeiro fulgor.
Os negócios iam bem e em 1957 foi aberta a Autopeças Fulgor, na rua Jesuíno Pascoal, com Emilio deixando o garagem sob os cuidados de Peruzzo e de Vitório Zambello, irmão que viera depois para o Brasil.
Depois de diversas provas disputadas individualmente, em 1958 veio a participação nos 500Km de Interlagos, onde Emilio Zambello e Ruggero Peruzzo dividiram o volante de uma Cisitalia 202, preparada na sua oficina. Ficaram com a primeira colocação entre os mecânica nacional até 2.0 litros.
Emilio descobriu seu balanço entre velocidade e constância nas provas longas e passou a ser um dos mais respeitados pilotos neste tipo de corrida. Para o ano de 1961, comprou uma Maserati que pertencia a Henrique Casini, com um motor V8 de 4.500cc, novo em folha que o próprio Zambello foi comprar na Itália. O carro era um verdadeiro canhão! A prova dos 500 Km daquele ano foi um passeio do trio formado por Emílio, Peruzzo e Celso Lara Barberis.
Emilio sempre deu preferência a correr com carros italianos. A única vez que ele traiu a pátria foi em 1963, em Porto Alegre, quando disputou as 500 milhas de Porto Alegre em dupla com Marivaldo Fernandes.
No ano anterior, os laços com um outro italiano começaram a se estreitar e desta amizade veio a surgir uma das mais famosas duplas e posteriormente equipe do automobilismo brasileiro. Este personagem era ninguém menos que Piero Gancia, que foi apresentado a Emilio por Ruggero Peruzzo.
A parceria foi muito além das pistas uma vez que, juntos, abriram a Jolly Automóveis, no bairro de Santa Cecília, na rua Frederico Steidel, com Emilio tendo conseguido a representação dos carros da Alfa-Romeo. Foram importados as Alfa Giulia em suas versões e que fizeram grande sucesso dentro e fora das pistas.
A Equipe Jolly, que muitos historiadores referem-se como Jolly-Gancia, marcou época no automobilismo brasileiro. Eram carros potentes, estáveis e resistentes, bem a feitos tanto as provas rápidas com as provas longas. Em provas curtas, corriam em carros separados, em provas longas, correram várias vezes em dupla e outras tantas com parceiros como Marivaldo Fernandes e Ubaldo Cesar Lolli, com quem venceu as 24 horas de Interlagos ao volante de uma Giulia-Super.
Na segunda metade da década de 60 e nos primeiros anos da década de 70 a história de Emilio Zambello confunde-se de tal forma com a da equipe que é difícil separar até mesmo as biografias dele e do amigo Piero.
O Alfa Giulia era fenomenal. Na primeira participação nas provas nacionais, Emilio e Piero venceram as 6 Horas de Interlagos. Na verdade chegaram em segundo, na geral, mas em primeiro na categoria. Depois, importaram "um Grand Turismo puro sangue": o Alfa GTA. Em pouco mais de 20 corridas, Emilio ganhou oito, o mesmo número de vitórias que conquistaria, dessa vez na geral, com outro possante, o Alfa GTA-M, com motor de 2 litros. Um carro ainda mais marcante na história das nossas pistas.
Uma corrida que Emílio faz questão de lembrar é a inauguração do asfalto do autódromo de Curitiba. Onde a equipe Jolly fez dobradinha com sua vitória e o segundo lugar do Wilsinho Fittipaldi.
Os maiores nomes do nosso automobilismo procuraram correr na equipe Jolly, alguns deles conseguiram como José Carlos Pace, Marivaldo Fernandes, Tite Catapani, Wilsinho Fittipaldi, Graziela Fernandes Santos entre outros, Emerson Fittipaldi disputou uma prova e os irmãos Alcides e Abílio Diniz também pilotaram as Alfas.
Em 1971 Emilio disputou suas últimas provas. A derradeira delas foi no dia 7 de setembro, a principio seria em dupla com Abílio Diniz, entretanto, o parceiro teve um mal estar e Emilio acabou por disputar sozinho os 500 Km de Interlagos.
Na memória do decano campeão ainda é forte a lembrança da entrega dos 3 capacetes de ouro que ele recebeu, um deles das mãos do inesquecível Juan Manuel Fangio.
Os carros importados foram proibidos de participar de competições nacionais no final daquele ano e esta decisão fez com que a equipe fechasse as portas, para tristeza de muitos fãs e emprobecimento das nossas corridas.
Emilio encerrou a carreira como piloto, mas não a de empresário bem sucedido, mantendo a importação dos carros para o público até que, em 1975 foram proibidas as importações de veículos inclusive para o público. Foi um duro golpe, mas não o suficiente para esmorecer o lutador italiano.
Ele continuava ligado ao ramo automotivo e era membro do Automóvel Clube Paulista, do qual veio a se tornar presidente anos depois. Nos negócios, começou a produzir rodas esportivas: as famosas rodas Jolly! Posteriormente ele também passou a importar pneus, mas poucos anos depois os pneus foram proibidos de ser importados.
Empreendedor, há alguns anos Emilio Zambello não se deixou parar no tempo e com olhos voltados para o futuro passou a investir num seguimento não apenas politicamente correto mas também de excelente retorno: a reciclagem de pneus.
Ele foi a Itália e fechou contrato como duas empresas produtoras de máquinas trituradoras e que são capazes de separar em um pneu, por exemplo, as resinas, o aço e atender clientes para produção de tapetes, asfalto, siderúrgicas, etc. Empresa que ele, ainda hoje, aos 84 anos, preside com dinamismo e visão atuais.
No meio automobilístico, como presidente do Automóvel Clube Paulista, que tem sede numa das esquinas do cruzamento da Avenida 9 de Julho com a Avenida Brasil, um dos metros quadrados mais valorizados do país, Emilio está à frente há 10 anos, e tem como uma de suas conquistas foi a volta da realização da tradicional prova dos 500 Km de Interlagos.
Emilio é o retrato mais fiel do apaixonado automobilista que tem a velocidade no sangue, que seu nome sempre ficará marcada na memória e na história do nosso automobilismo.
Fonte, a matéria é do Nobres do Gride