segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

HOT DODGE - OS VEOITÕES RONCAM NO PLANALTO

A categoria TFL (Turismo Força Livre) já fazia um grande sucesso no final da década de 70 e alinhavam os opalas Stocks, Fiats, Fuscas, entre outros. Já no final de 1980 alguns Dodges já participavam da categoria e o número de carros foi aumentando e a Federação de Automobilismo do Distrito Federal resolveu criar o regulamento técnico e desportivo da Hot Dodge, a partir de 1981, com largada independente da TFL .

Carlos Marques da Brasilia Importadora no gride em 83
Pepe e Lula começando a descida da bruxa

No começo, os carros muito pesados e com regulamento praticamente original e que permitia apenas o rebaixamento da suspensão, amortecedores trabalhados com a substituição do óleo por outro mais grosso, carburação original, mas preparada, aumento da taxa de compressão e rodas com pneus radiais de rua de até 8 polegadas, mas os pilotos conseguiram descobrir uma brecha no regulamento e passavam a lixar os pneus e deixando-os quase Slicks.

Mario de Assunção começando a contornar a curva do placar.

As voltas eram bem altas acima de 2m50seg e a corrida era realizada no circuito interno. Mas com o decorrer do tempo, foi-se desenvolvendo, principalmente, acerto dos carburadores que eram a álcool e assim os tempos foram baixando e o número de carros aumentando chegando-se acima de 20 na formação do grid.


Os veoitões fazendo a curva da vitória
No começo era comum as derrapagens e saídas de curvas (bruxa)
O Milagres com o seu Ddoge Bar 707 saía muito na televisão por causa das escapadas de curvas

Sem dúvida alguma, a Hot Dodge era quem levava um grande número de público ao autódromo, principalmente, em função das derrapagens, saídas de curvas e os acidentes, pois quando se perdia o controle da bagaça, era quase impossível segurá-la e o público vibrava.




Carlos Marques dando uma escapada na curva da vitória e Eli Pimentel(repare a arquibancada lotada)

Em algumas provas, em função do nº dos TFLs, que diminuíam a cada ano, a Hot Dodge passou a largar juntamente com eles e assim os Dodges eram alinhados atrás do último carro da TLF e as provas ficavam mais interessante para o público ver, mas que não eram nada bom para os pilotos da Hot Dodge, pois os opalas davam uma volta em cima dos Dodjões.



Opala da TFL acelerando junto com os Dodjões

Carlos Marques na curva 1
Para se ter uma idéia, em 1976, nos mil quilômetros de Brasília (Div 1 – FIA), onde participavam as grandes equipes brasileiras que alinhavam os famosos Mavericks Quadrijeteres da Mercantil Finasa pilotados por Bob Sharp e Paulo Gomes, entre tantas outras e grandes equipes daquela época, a pole position ficou com o piloto da casa Jose Carlos Catanhede e José Laurindo com o Maverick laranja da Arroz Olinda com 2m42seg23 e a vitória com o Bob Sharp e menos de 9 anos depois o Beto virou em 2min29seg, se tornando o recordista da pista.


Beto Fazenda com o carro recordista da categoria (aqui já no final da categoria quando os Dodges já tinham uma configuração mais braba.

Quando a categoria começou a desenvolver-se mais, uma conseqüência natural do automobilismo, a quantidade de carros começou a diminuir quando liberaram os pneus slicks e alguns pilotos passaram a usar o pistão e coletor do caminhão Dodge a álcool, comandos Scanderiam, tuchos mecânicos e balancins reguláveis, carburadores não originais e preparados, o peso foi aliviado com a liberação de vidros em acrílicos, a fuselagem também aliviada e até aerofólios foram utilizados, ficando apenas uma lâmina de lata nas portas e capôs e os antigos tempos que eram acima de 2m50seg, foi baixando e chegou-se a este incrível recorde da pista, isto já no final da categoria, em 1985.

Ailton Cristo e Silvino na reta oposta
Pepe e sua máquina
Os grandes nomes da Hot Dodge foram os pilotos José Anísio, que vencia quase tudo, Carlos Marques, que geralmente chegava em 2º (ambos da mesma equipe – Brasília Importadora), depois foi dominada pelo Osvaldo Toller Junior (Elétrica Mercúrio que virava em torno de 2m33seg e o segundo colocado em torno de 2m36seg e assim sucessivamente) e mais no final, o Beto Fazenda, que foi o último campeão da categoria.

A equipe do Toller Junior (Renê Feiticeiro, Toller, Bodão e ...?)

Em 1983, houve nove corridas e o Toller Junior ganhou oito com todas as poles e melhores voltas. O fato interessante ocorreu por conta de uma corrida na chuva em que ele classificou-se à frente dos opalas, mas a Federação não o deixou alinhar junto e ele foi obrigado a alinhar atrás do último carro da TFL.


Toller Junior e seu Bicho papão da Hot Dodge e Campeão em 1983.


O piloto e amigo de infância Lula


Viana e seu Dodjão Fluminense



Mais um amigo de infância, o Luisinho das Candangas e seu Charge RT

A categoria também existia em Goiânia e chegou-se até a tentar unir as duas categorias com realização de provas lá em Goiânia e Brasília, mas acabou por não dar certo com o final da categoria goiana.
Com isto, alguns pilotos de Brasília trouxeram alguns carros de lá, carros muito mais equipados e com um regulamento, na época, mais liberal, e que já tinham pneus slicks e até aerofólios criando-se uma expectativa de como eles se comportariam na pista brasiliense. Na realidade, para a minha surpresa e acredito que de todos, não conseguiam virar nos mesmos tempos dos carros de Brasília e ficavam para trás até eles retirarem os aerofólios, que mais prejudicavam do que ajudavam.



Entre estes pilotos, estavam a dupla Celsão e Nelson Sanches, que vieram da TFL, mas não conseguiram a performance que eles esperavam.

Houve também a participação esporádica do Ricardinho Nhen Nhen Nhen que marcou a pole position numa referida prova, fez a melhor volta e venceu de ponta a ponta. No total foram 110 pilotos que participaram da categoria desde a sua criação.





Revendo tudo isto, como dá um aperto lá no fundo do coração, saudades de um tempo vindo e findo quando ousamos fazer aquilo que nos parecia impossível da realização de um sonho, sonho este de colocar um carro para brincar entre colegas e aprender que automobilismo é esporte muito sério e para quem tem muito grana, pois arcar com as despesas que aumentam a cada corrida juntamente com o fascínio que ela exerce sobre a gente e concluir que para conseguir sucesso é necessário muito investimento, tanto financeiro, como dedicação pessoal ou então ficar nas arquibancadas aplaudindo os donos do espetáculo.


Jovino no Grid de 84

(Agradeço a colaboração do Presidente da FADF, Sr. Napoleão Ribeiro, que forneceu algumas fotos e relação de pilotos, os pilotos Beto Fazenda, Carlos Marques, Luiz Torres (o Lula), Luiz Cesarino e Wesber Juvenal (o Pepe), Viana, Oswaldo Toller Junior, que contribuíram com fotos e esclarecimentos).

Obs: 1: quem tiver participado da Hot Dodge Brasiliense, favor entrar em contato comigo através deste emeil: jobenevenuto@hotmail.com.

Obs: 2: (esta matéria foi publicada anteriormente no blog do meu amigo Saloma (http://www.interney.net/blogs/saloma/) em 2008 e refeita agora com algumas atualizações).

22 comentários:

  1. Jovino,

    Sem sombra de dúvidas,essa foi a melhor época da minha vida!
    Obrigado por ter proporcionado tamanha emoção.

    Abraço.

    Luiz Coelho

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  2. Esses 'Dójões' e os 'Mavecos' na pista são lindos demais!!!
    Aqui na terra era um grande show ver esses carros de lado...

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  3. É, os veoitões faziam o show aqui no autódromo. Imagino como deve ser eles na terra para segurar uma bagaça destas. Bons tempos.
    Jovino

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  4. Jovino, meu amigo, que post maravilhoso. Muito rico em tudo, fotos, conteúdo, emoção. Obrigado por compartilhar isso tudo conosco.

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  5. Pois é Mauricio, com a belíssima testeira feita por você com o visual do meu dodjão da Hot Dodge, fui atrás de mais alguns pilotos e refiz a matéria que havia sido publicada no blog do Saloma com maiores detalhes e mais fotos. Confesso que ainda não estou satisfeito,pois tem muito mais pilotos que a inda não tive tempo de contatar, mas que sairá futuramente um novo post.
    O Luiz é meu irmão e me ajudou muito naquela época.
    Jovino

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  6. Jovino
    Ficou muito legal esse post.
    Rapaz, você tem quanto de altura?

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  7. Sidney, naquela época eu tinha 1m86. Hoje, acho que tenho 1m84. Dizem que quando a gente vai ficando velho tudo diminui.
    Abs.
    Jovino

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  8. Comentário do Admundo encaminhado para o meu email:
    "Jovino: O José Guilherme Milagres, dono do saudoso Bar 707, no Gilberto Salomão, e piloto do Dodge 707, era e continua sendo um grande gozador. Como ele não tinha equipamento para andar na frente, andava o tempo todo de lado, rodava e tudo o mais. Ou seja, aparecia e fazia a propaganda de seu bar. Frequentei muito o 707 e tenho muita saudade daqueles tempos. Hoje, o Zé Guilherme e seu irmão "Cuca" moram em Cabo Frio-RJ.
    Abraços,
    Edmundo"

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  9. Meu nome é Guilherme Rezende, meu Dodge era o Nº 50, o carro era todo azul com faixas laterias verticais amarelo/laranja e vermelho,patrocínio PERLIN Auto Peças, foi uma fase inesquecível em minha vida, na época eu morava na SQS 412 e lá nossa turma possuía mais de 08 carros. O pessoal era Anicio Júnio/ Quixadá / Pepe / Sergio Cachimbo / Marco Biela / Guilherme Rezende / Osvaldo Toller (júnior)/ Paco .
    Os anos de 1980/1981/1982, Foi maravilhosa esta época. Obrigado por nos proporcionar estas lembranças. Um abraço a todos.
    Se alguém possuir uma foto do meu carro, por favor, me avise

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  10. Jovino, vc teria alguma foto do Dodge 50 azul , Perlin ?

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  11. na foto em que aparece o Toller Junior, na verdade não é o renê o feiticeiro, é o Bodinho, Toller, Bodão (meu pai)e o Catena.

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  12. Jovino, parabens pela materia, é muito bom vem pessoas que não vemos a 25 anos.
    Adoro lembras das corridas de dodge que participei e que tanta emoção me deu.

    Leo Samara

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  13. Lembro de quase todos principalmente de Zé Guilherme do 707 no Gilberto Salomão ....... Era uma peça Rara o meu amigo ....... HAHAHAHA

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  14. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Apesar de ter participado de poucas corridas com meu Dodge nº 44 fiz grandes amizades as quais permanecem até os dias de hoje. Renato Lobão.

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  16. Boas lembranças............. só duas correções: a foto "na curva da vitória" na verdade é na curva 1 e "Marques na curva 1" é na curva 2 (Colégio Militar). Os caras ali tinham mania de deixar as bandeiras pra fora do guard-rail.... só pararam de fazer isso quando um Formula 2 bateu ali e arrastou todas e ficaram sem nenhuma nem para sinalizar o acidente.

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  17. Ola...

    Me chamo Tierri e sou proprietário de um PACECAR que veio de Brasilia, comprei o carro no leilão do Museu da ULBRA no RS, onde nos foi informado que o veiculo Pontiac Formula 400 Bigblock ano 1974 era Pacecar em Brasilia e na Formula 5000, estou precisando de mais dados do carro para agregar ao seu histórico... alguém conseguiria algo pra mim? Esse Blog Esta cheio de informações e certamente deve ter algo sobre o carro com vocês!!! Posso mandar fotos antigas e atuais do carro para vocês verem o mesmo. Agradeço desde ja a atenção. Fica aqui meu e-mail pra contato: tierrigabriel@gmail.com

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  18. Meus jovem isto que é corrida, época maravilhosa, na verdade assim sim tem que ter braço.

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  19. Meus jovem isto que é corrida, época maravilhosa, na verdade assim sim tem que ter braço.

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  20. Caro Jovino, agora entendo a foto capa do blog. Perdi este ciclo. Imagino que devam ter muitas histórias para as mesas de bar. Estive fora naqueles 5 anos e, por isso, não acompanhei de perto o que se fazia por aqui. Já voltei na força da Stokc. Abraços.

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