sábado, 18 de agosto de 2012

VA BENE, GLI ITALIANI INVADONO IL VCC DI BRASÍLIA

Neste sábado, no VCC de Brasília, foi realizado o encontro de carros italianos com a presença do embaixador da Itália Sr. Gherardo La Francesca e da embaixatriz Sra. Antonella Cavallari, além de associados e o público que estiveram prestigiando o evento.
Na oportunidade, os amantes das máquinas italianas, puderam apreciar carros das marcas Ferrari, Fiat, Maserati, Alfa Romeu, um raríssimo De Tomaso Pantera, o ítalo brasileiro Fùria Alfa construído por Tony Bianco e que participou de competições no Brasil no início dos anos 70 e que foi todo restaurado, além de duas alfas de corridas e de alguns tedescos que vieram prestigiar a festa italiana.
Quem esteve à frente da organização deste evento foram o diretores Juarez Cordeiro, Nelson Ormazano, Paulo Proença, Presidente do Clube das Alfas de Brasilía, capitaneados pelo Presidente do VCC Paulo Afonso e os associados que sempre estão participando e ajudando no que podem.
Já tornou-se uma tradição do VCC de Brasília a organização de eventos homenageando diversas marcas.
Já tivemos a homenagem para os fuscas e VW Boxers, os V8 e agora para os carros italianos. Mês que vem, teremos a homenagem para os carros alemães.

O belíssimo Fiat Abarth, Ferraris e Alfas
Olha o motorzão do Fiat Abarth 1300
mais Fiats
De Tomaso Pantera

O interior do belíssimo e raro De Tomaso Pantera
No destaque a Ferrari 550 Maranelo
A belíssima e rara Ferrari 348 GTS
O motorzão da Ferrari 348 GTS.
O Fúria Alfa
Detalhe do motor Alfa de 4 cilindros
 O interior do Fúria Alfa
 Detalhe da suspensão dianteira

 As Alfas de competição
  uma raríssima Alfa Júlia à esquerda e as GTVs ao lado
Mais Alfas,  uma 145, etc.
A Ferrari do "Magnun"

 Mais Alfas...
e mais Alfas

As belas Alfas Spiders
A Maserati mais bonita de Brasília. Segundo o seu feliz proprietário, "é uma Ferrari de luxo"

Que belo Fusquinha...
Alguns tedescos
Os puminhas também presentes
Uma Ferrari California branca!!! Nunca tinha visto uma desta cor.
O belíssimo Porsche com este azul calcinha, também, uma cor incomum!!!
O presidente do VCC, Paulo Afonso, a embaixatriz Antonella e o Embaixador Gherardo da Itália que prestigiaram o evento.

Hasteamento das bandeiras de Brasília, do Brasil, da Itália e do VCC de Brasília. Os hasteadores foram: da esquerada para a direita, Renato Malcotti, Paulo Afonso, o Embaixador Italiano e o Paulo Proença.
 No interior da sede social, salgadinhos e drinks para comemorar o dia do carro italiano.

Abaixo, um vídeo do evento.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

PIQUET FAZ NIVER HOJE - 60 ANOS

Ano passado, num tradicional encontro de motociclistas no autódromo de Brasília, Nelson Piquet me mostrava, apontando para o boxe onde ficou a equipe do Argentino Carlos Reutemann, onde ele dormiu trancado lá dentro até amanhecer o dia e ajudar a equipe e os mecânicos. Que filme não deve ter passado em sua mente naquelas frações de segundos!!! 

Aquele menino, que, sete anos depois, veio a ganhar o seu primeiro título na Formula 1 em cima do próprio piloto que ele ajudou naquele dia em Brasília, hoje faz 60 anos.  

Então parabéns para o tricampeão, com muita saúde, paz e muitos carros!!!



O PRESENTE: DE PIQUET PARA PIKET

Nelsinho Piquet mandou fazer um capecete semelhante ao que o pai Piquet usava na antiga  Formula Super V aqui no Brasil quando tentou escondeu do próprio pai sua identidade de piloto e irá usá-lo em Michigan, sábado, na corrida da Truck Series. Depois dará de presente para o pai.

Belo presente.

A bela ilustração feita pelo meu amigo Ararê Novaes.

Abaixo, Piquet como garoto propaganda, quando testou o BMW E24 M635 CSI   em Paul Ricard.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

DIRE STRAITS LIVE

A Banda inglesa, Dire Straits, formada em 1977 pelo guitarrista e vocalista Mark Knopfler e seu irmão David Knopfler, com John Ilsley no baixo e Pick Withers na bateria, começaram a fazer sucesso em pleno reinado do movimento Punk que afloravam no mundo todo.

Com um som mais clássico e uma sonoridade mais leve, mas aproveitando elementos da própria música Punk, mais conhecido na época como New Wave, conseguiram se firmar na mídia mundial que estava cansada do som superproduzido do rock dos anos 70, ganhando o disco de platina logo em seu primeiro albúm de lançamento.

Em pouco tempo de banda e com apenas 5 álbuns de estúdio lançados, conseguiram vender mais de 100 milhões de discos em todo o mundo.

Na apresentação deles, ao vivo, (Alckemy Live) eles arrasam executando “Sultans of Swings”, com destaque para o batera Pick Withers e os solos dilacerantes de Mark Knopfler. 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O ABANDONO DO KARTÓDROMO DE ANÁPOLIS

Mais uma triste notícia: palco de dois ou mais campeonatos brasileiros de karts nos anos 90, o abandono do Kartódromo de Anápolis/GO é um reflexo da situação atual do automobilismo brasileiro, quando vários autódromos estão abandonados e dilacerados, inclusive, a destruição em definitivo de uma das maiores praças do automobilismo brasileiro, o autódromo de Jacarepaguá,  no Rio de Janeiro.

Perdi a conta das inúmeras vezes que juntamos uma boa turma de kartistas aqui de Brasília e fomos para Anápolis sentir o giro do motorzinho 2 tempos explodir lá em cima numa das maiores retas para a época (se não for ainda a maior) numa pista de média para alta velocidade.

Toda vez que vou à Goiânia (pelo menos duas vezes por mês) sempre passo em frente ao referido kartódromo, mas não tinha coragem de parar, com medo de constatar a realidade que dava para perceber em parte, lá do alto da rodovia que passa ao lado desta pista.

Não sei ao certo a situação deste kartódromo, se é a administração de Anápolis que é a proprietária do terreno ou se é ainda da família do construtor dele.

Há alguns anos atrás, fiquei sabendo que o possível dono o teria construído, mas faleceu antes dele ser inaugurado.

Se alguém souber a realidade deste kartódromo, por favor, se manifeste.
Detalhe da torre de cronometragem. Abandonada e o mato crescendo
Ainda dá para dar um trato e voltar com o que era antes
A destruição de onde ficava a diretoria da prova e secretaria
Lixo, mato, e tem até uma churrasqueirinha improvisada por alguns desocupados que encontraram um bom lugar para as festinhas e farras
Mais detalhe da antiga sala da diretoria do kartódromo
a torre de cronometragem, puro abandono.
Lá no fundo era onde os karts ficavam para a vistoria e antes de entrarem na pista para a disputa de uma prova.
O começo da reta dos boxes.
Parte da reta dos boxes
Os boxes bem amplos e divididos no meio, com duas colunas de garagens para os karts. Veja que eles, apesar de estarem abandonados, ainda estão íntegros, do jeito que foram construídos.
Em frente aos boxes, as marcas do gride de largada. Por aí, num passado remoto, lagavam 35 karts para cada categoria.
Mato crescendo
Aqui era onde funcionava a lanhonete do kartódromo
O finalzinho da reta dos boxes,começando a pegar a grande reta

Na foto acima, veja como era a mesma reta a alguns anos atrás quando íamos andar lá (no detalhe eu e o meu kart Mini 99 que guardo até hoje)
Veja como o kartódromo era limpo e bem cuidado (eu e uns amigos nas diversas vezes que fomos andar lá)
Mal dá para perceber, mas lá atrás do mato, está a arquibancada do kartódromo
O começo da grande reta e saída dos boxes
A reta dos boxes

domingo, 12 de agosto de 2012

MAIS QUE VENCEDOR - O LIVRO DE ALEX DIAS RIBEIRO

Recebo convite do amigo Alex Dias Ribeiro e repasso para vocês:

Sessão de autógrafos com Alex Dias Ribeiro na Bienal do Livro de São Paulo
Dia 18 de agosto às 18h
"Mais que vencedor"
Trechos do livro:
1 - Sai acelerando forte da curva 3 de Watkins Gleen. Estiquei a terceira marcha até o motor gritar espavorido na marca dos 10.000 giros e enfiei uma quarta. Ao sacar o pé da embreagem, senti nas costas o tranco dos 500 cavalos do velho Cosworth acompanhado de algo muto estranho: O volante saiu na minha mão! E eu estava a mais de 200 km/h... 

2 - Cristo Salva mas o Diabo Vence - Essa piadinha de mau gosto, publicada a meu respeito na revista Autosport inglesa em 1977, foi um dos maiores sapos que já tive de engolir. Doze anos depois, dirigindo uma maquina chamada Atletas de Cristo, vi nossos atletas conquistarem tantas vitórias não só no Brasil mas em todo o mundo e nossa missão considerada o grande fenômeno religioso da década de 80 que pude afirmar convicto: Cristo salva e vence!  

3 - O choque de ré contra o barranco lançou o carro para o espaço numa decolagem vertical. Encolhi os braços e fechei os olhos instintivamente. Por melhor piloto que eu fosse, não havia nada que eu pudesse fazer, voando sem asas, de cabeça para baixo a 5 metros de altura...  

4 - Eu nunca pensei que uma dona de casa pudesse ter tanta coisa em comum com um piloto de Formula 1 até o dia que li esse livro. Cida Yoshima. 

5 - Esse livro fala de vitória ao seu alcance, para ajudá-lo a enfrentar as tempestades da vida, ultrapassar a derrota, superar a depressão, desclassificar o medo e tornar-se mais que vencedor na única corrida que você não pode perder: a corrida da vida.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO - LUIZINHO PEREIRA BUENO

Um ótimo dia dos pais para todos os amigos que frequentam este espaço.

Muitos consideram Luizinho Pereira Bueno o maior piloto brasileiro de todos os tempos.
Eu mesmo tive o prazer de vê-lo correr aqui em Brasília AQUI na estréia e primeira vitória do Bino Mark II fazendo dupla com José Carlos Pace nos mil quilômetros de Brasília de 1968, e, posteriormente, no autódromo improvisado do circuito do pelezão aqui em Brasília com os Porsches 908 e  910 da equipe Hollywood.
Infelizmente, ele já nos deixou, mas o seu talento ficou marcado nas pistas brasileiras e estrangeiras.

A matéria abaixo foi publicada originalmente no site da FASP.

(O tempo não pára para aqueles que marcaram o seu tempo)

O Piloto Luiz Pereira Bueno - O Peróba

Por Carlos "Caneta 13" Coutinho - revisão Anisio Campos

- "Sabia que o vizinho da mamãe foi corredor de automóvel?"

Eu, claro, perguntei o nome do corredor. Minha mulher, claro, não sabia. O pior é que na época minha sogra morava em São Paulo e estava sem telefone, então fiquei sem saber o nome dele. O tempo passou. Esqueci a história. Muito tempo depois, em São Paulo, descíamos no elevador, eu, minha mulher, minha sogra e um senhor. Foi quando minha sogra disse pra mim: "Carlos, este aqui é o meu vizinho."


Luis Pereira Bueno no Rio de Janeiro, autódromo de Jacarepaguá em foto do Piloto Sidney Cardoso

Eu falei muito prazer, o vizinho também, e ficaria tudo por isso mesmo se minha sogra não tivesse insistido: "Carlos, este é o meu vizinho - aquele que eu falei que tinha sido corredor de automóvel, lembra?" Então caiu a ficha e eu lembrei da história do vizinho que era corredor de automóvel. Olhei para ele, meio sem graça; afinal, eu não o estava reconhecendo. Ele sorriu de volta pra mim com simpatia e compreensão, e minha sogra continuou: "Você deve lembrar dele, Carlos. O seu Luiz."


Luiz Pereira Bueno sobreesterçando sua Berlineta nos 500 Km da Barra da Tijuca - na Av. Sernambetiba - 1965

Meu Deus, eu pensei, claro que eu lembro! Eu era um moleque de 15 anos e aquele senhor simpático no elevador passou por mim a 280 por hora dirigindo um March (711?) de Formula 1 para bater o recorde do anel externo de Interlagos. Ele dirigia também o Porsche 908/2 da Equipe Hollywood, que eu desenhava de olhos fechados; o Bino Mark 2 amarelo que eu adorava; as Berlinetas da Equipe Willys, que vi correr no Rio; o lindo Maverick divisão 3 da Equipe Hollywood, sonho de consumo da adolescência; e o Hollywood Berta, a maravilhosa criação de Anisio Campos. E, até onde consigo me lembrar, vencia sempre.


Luiz Pereira Bueno começando carreira, com 21 anos, correndo com a Berlineta Interlagos da Equipe Willys

Tudo isso passou rápido pela minha cabeça, a 300 quilômetros por hora, enquanto o senhor sorria simpaticamente para mim. Luiz Pereira Bueno! Não consegui dizer nada para ele, exceto "puxa, que prazer: você é meu ídolo" - e o elevador chegou ao térreo. Minha sogra ainda sugeriu que eu poderia convidar o "seu Luiz" para almoçar, se ele pudesse, e ele disse por educação- "claro, seria um prazer" - mas o almoço nunca aconteceu, por vergonha minha de não querer ficar incomodando meu ídolo.


Luiz Pereira Bueno com Anisio Campos e Lian Duarte no Pódium - Equipe Hollywood

Algum tempo depois, visitando a gente no Rio, minha sogra trouxe uma foto promocional com toda a Equipe Hollywood da época, carros e pilotos, e uma dedicatória super simpática do Luiz Pereira Bueno dizendo, a respeito da Equipe Hollywood "puxa, já faz mais de 20 anos". Pois é, faz mais, muito mais de 20 anos e não importa o que digam os fãs de Emerson, Piquet e Senna: para mim, Luiz Pereira Bueno é o maior piloto brasileiro de todos os tempos...

- Nota da Obvio !: Carlos Coutinho é um carioca gente-boa, simpaticíssimo e que sabe-tudo de automobilismo...

Do tempo que Massa nem havia nascido

Por Luis Guedes Jr. - Jornal da Tarde

Luiz Pereira Bueno foi um dos grandes pilotos da década de 60 e início de 70, de Interlagos - de Willys e Porsches -, a aventuras na Europa. O ex-piloto, de 65 anos. defende Rubinho Barrichello e acredita que gerações - como a de Felipe Massa - não saibam de suas histórias no automobilismo brasileiro.

Na década de 60 e início da de 70, o paulista Luiz Pereira Bueno brilhou foi um dos grandes pilotos do automobilismo nacional. Hoje, aos 65 anos, acredita não passar de um desconhecido para os mais jovens. Afinal, quando alinhou um March para o GP do Brasil de F-1, prova extra para homologação do autódromo de Interlagos em 1972, Felipe Massa, da Sauber, nem havia nascido.


Entrega de premio a Luiz Pereira Bueno - 500 Km. de Interlagos - 10 setembro 1966

Do tempo em que levantava as arquibancadas de Interlagos, preservou a maneira calma e pausada de falar. Profundo conhecedor de mecânica, teve seus primeiros contatos com um carro de competição por volta dos 14 anos de idade, influenciado pelo irmão mais velho, que enxergava nas corridas apenas um hobby.

Da geração atual, Luiz Pereira Bueno se diz fã de Rubens Barrichello e condena os que falam mal do piloto. De Ayrton Senna, se lembra de um único e tempestuoso encontro: "Fui cumprimentá-lo pela forma como estava começando a carreira e ele me tratou com certo desdém. Acho que não me reconheceu", afirma, dizendo não ter guardado mágoa.

Luizinho, como era chamado, correu boa parte da sua carreira como piloto contratado da equipe Willys, referência entre os corredores. E já em sua época conquistou um diferencial raro até mesmo entre os pilotos atuais: viver apenas do que ganhava nas corridas.


Luizinho Pereira Bueno subindo com o Bino Mark - II a Rua Alberto Torres,

depois da Rua Floriano Peixoto - a reta da Rodoviária - para descer a Avenida

Ipiranga, passando pela Curva da Matriz, pelo Museu e chegando na grande reta

da Avenida 15 de Novembro - hoje Rua do Imperador - fechando o
"Circuito de Petrópolis".

A seu lado, dividindo o boxe, competiam destaques como Bird Clemente e José Carlos Pace. Em meados dos anos 60, a coqueluche era a rivalidade entre os carros "amarelinhos" da Willys e os Karmann-Ghia / Porsche da equipe Dacon, pilotados pelos irmãos Emerson e Wilsinho Fittipaldi. Nos anos seguintes, com muitos talentos despontando no automobilismo nacional, o desafio passou a ser competir no Exterior. Há quem garanta que Bueno, se tivesse contado com o mínimo de apoio, teria alcançado uma carreira internacional de destaque. Tentar, bem que tentou, antes mesmo de Emerson Fittipaldi abrir caminho para a F-1.

Faltou dinheiro para permanecer na Europa

Na temporada de 69, Luizinho e o carioca Ricardo Achcar integraram a equipe do ex-piloto de F-1 Stirling Moss na Fórmula Ford inglesa. "O Moss veio para o Brasil a convite de uma revista e o Ricardo o levou para o Rio de Janeiro onde, após passarem por algumas festas, conseguiu convencê-lo a nos receber para um treino na categoria", conta o ex-piloto.

O teste ocorreu pouco antes do carnaval, no circuito de Brands Hatch, e contou com outros dois pilotos cariocas. Ao fim do dia, Luiz Pereira Bueno foi o mais rápido do grupo. "O Stirling concordou então em pagar para eu competir aquele campeonato. Além disso, pediu para que eu escolhesse qual dos outros brasileiros ficaria como meu companheiro de equipe. Aquilo foi penoso, mas acabei optando pelo Ricardo Achcar, que apesar de não ter sido nem mesmo o segundo mais rápido tinha o mérito de ter nos levado até lá", confessa Luizinho.

Patrocínio no meio do campeonato

A dificuldade em encontrar um patrocínio que cobrisse os custos quase pôs fim aos planos de correr no Exterior. "O negócio apareceu somente em maio e quando voltamos à Europa o campeonato já havia começado. O Stirling avisou que não tinha mais como nos oferecer sua equipe, pois precisaríamos ter chegado lá em março. Só com muita conversa ele mudou de idéia", lembra Bueno, que na primeira prova acabou sofrendo o pior acidente de sua carreira. "O carro ficou acabado, apenas no chassi. E eu, com o corpo todo machucado."


Luizinho P. Bueno com o Porsche Hollywood na junção - 500 km de Interlagos de 1971

O impacto foi tão forte que danificou a estrutura do chassi, prejudicando a pilotagem nas provas seguintes. Luizinho conseguia apenas resultados discretos e já estava desanimado com a categoria. "Um dia, um mecânico da fábrica dos F-Ford apareceu no box da equipe e percebeu que o carro estava completamente desalinhado", conta, esboçando um sorriso. "Quando voltei a treinar, não consegui conter o riso debaixo do capacete."

Após o conserto do carro, Luiz Pereira Bueno conquistou nove vitórias consecutivas e fechou o ano como vice-campeão da Fórmula Ford inglesa. Mas a permanência na Europa foi impossibilitada pela falta de dinheiro. "De toda forma, a convivência com o Stirling Moss, que sempre tive como ídolo, foi algo marcante. Por uma ironia do destino ele jamais conseguiu alcançar o título mundial e essa frustração definitivamente o incomodava", diz.

Meu amigo LUIZ PEREIRA BUENO

Por Francisco "Chiquinho" Lameirão

Antes de se comentar, ou fazer qualquer comentário, sobre este extraordinário piloto que é Luiz Pereira Bueno, é imperioso que se escreva algumas palavras sobre Claudio Daniel Rodrigues, pois foi ele quem ensinou grande parte da maestria que Luiz possuía, naturalmente, e que a bem da verdade, ainda possui.
Claudio Daniel Rodrigues era proveniente da aviação e, entendidos do automobilismo tais como Jorge Lettry dizem categoricamente, que houve no esporte a motor brasileiro a “era” antes e depois de Claudio, tamanho conhecimento técnico de que era possuidor.


Em 1960, a estréia da Vemag nas Mil Milhas Brasileiras animou a Simca do Brasil e o FNM-JK ainda que todo importado a entrar no rol das corridas. No início, eram os carros nacionais contra as híbridas carreteiras, mais tarde foram criadas categorias obedecendo a regulamentos da FIA Grupo 1, 2 e 3 e foi mantido a Força Livre Brasileira onde valia quase tudo.

As fábricas abriram as portas da nova geração - um novo ciclo no automobilismo Brasileiro - e paralelamente os Go-Karts, introduzidos pelo Cláudio Daniel Rodrigues, também um excelente piloto dos anos 50. Seu modelo batizado de "Róis Kart" tinha motor estacionário do tipo cortador de grama e, pouco mais tarde, ele desenvolveu um motor com melhor performance.

Claudio Daniel Rodrigues preparava os MG´s T.C que, acreditem ou não, andavam junto com as Ferraris e Maseratis da época. Carroceria de alumínio, compressor, muitos testes e experiências com pneus de várias medidas, para verificar qual o que melhor se adaptava ao tempo seco e ao molhado também. Verifiquem que estamos nos referindo aos anos 50, e aqui no Brasil.

Pois foi este mestre que “pegou” Luiz Pereira Bueno para amaciar estes MGs no Autódromo de Interlagos, isto quando o Luiz tinha 13/14 anos, lhe ensinando desde o ABC até o Z. Combinava que determinado dia o amaciamento era até 3500 RPM e então o Luiz ia pilotando o mais rápido que podia, sem passar desse regime. Com o aprendizado desta técnica, sempre foi além de muito rápido, um piloto que tratava muito bem de seus carros, no sentido de pilotagem é o que me refiro.


Ainda sobre Claudio Daniel Rodrigues, é obrigatório que se mencione que foi ele quem lançou o Kart no Brasil, sendo o primeiro construtor e incentivador desta pequenas viaturas, que tão bons nomes produziram no cenário nacional e internacional tais como Maneco Combacau, Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Wilson Fittipaldi, para citar alguns nomes, e sem comentar de Ayrton Senna, evidentemente.

A primeira corrida se deu no Jardim Marajoara, em São Paulo, com a presença e participação do saudoso Chico Landi.

Luiz Pereira Bueno foi um grande piloto. Nunca o vi rodando. Quando o carro lhe era desconhecido, começava a uma velocidade de moderada para boa. Conforme “sentia” o carro, ia imprimindo-lhe cada vez mais potência. Em ocasiões em que o motor começava a esquentar mais do que o devido conseguia, sem aumentar o tempo em demasia, que a temperatura abaixasse a termos razoáveis.


Luizinho correndo de Porsche 908/2 da Equipe Hollywood nos 300 Km. de Tarumã, Rio Grande do Sul -1971

Em corridas longa sabia dosar o freio como ninguém. Na neblina era um mestre, a bem da verdade junto com Cyro Cayres e Bird Clemente. Se o carro durante a corrida mudava de comportamento, ou devido a uma barra estabilizadora quebrada ou por causa de uma leve batida, mudava imediatamente o trajeto que estava usando até aquele momento, mas continuava a virar no mesmo tempo em que anteriormente estava virando. Histórica e mundialmente falando, somente o grande Jim Clark conseguia tal feito.

Em sua primeira corrida de Formula 1 foi o 6º colocado, correndo com um Surtees. Nesta corrida, houve um fato surpreendente: os campeonatos mundiais naquele tempo começavam na África do Sul; Após a corrida, os carros eram desmontados e mandados para o Brasil em Interlagos. Quando os treinos começaram, após dua voltas, Luiz parou no boxe e comentou com John Surtees que o carro estava “inguiável”. Surtees lhe disse que talvez ele não tivesse o “dom” necessário para pilotar um Formula 1.


300km de Tarumã 71 - Anisio Campos de 910 no. 12 e Luiz Pereira Bueno de 908/2 no.11

Após mais duas voltas, Luizinho foi categórico para com Surtees, dizendo que havia alguma coisa muito errada no carro e lhe pedindo para que José Carlos Pace, o “Moco” experimentasse dar algumas voltas, pois como era o piloto oficial da Surtees, daria uma opinião mais abalizada do que estaria ocorrendo. Pace então saiu com o carro de Luiz e nem completou a volta, retornando aos boxes imediatamente para dizer ao John Surtees que o carro estava “inguiável” .

Constatou-se então que na montagem apressada os mecânicos tinham invertido um dos triângulos dianteiros e com isso o carro tinha uma medida diferente para cada lado do entre-eixos. De imediato, Surtees pediu mil desculpas.

Luiz Pereira Bueno foi protagonista de corridas memoráveis, como os 500 Km de Interlagos pelo anel externo, onde com um Porsche 908/2, e manteve um duelo impressionante com o suiço Herbert Müller, este com um Porsche 908/3; ou na Áustria, com o mesmo Porsche 908, quando largou no meio das Ferraris de fábrica, junto com pilotos do nível de Ronie Peterson, Jack Ickx, José Carlos Pace, Arturo Merzário e Tim Shenkins.


A mídia argentina falando sobre a atuação de Luiz Pereira Bueno da Equipe Hollywood que mediu forças com os locais..

Piloto exemplar, com um grande senso de profissionalismo, sempre vestiu a camisa das equipes por onde passou. Com ele, segredo nunca vazou. Um grande amigo. Meu professor, com muita paciência, pois o aluno não era dos melhores.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

AUTÓDROMO DE JACAREPAGUÁ - FILME INÉDITO DOS TESTES DE PNEUS DE 89.

Semana passada houve a última prova realizada no autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Todos devem saber que o autódromo vem sendo dilacerado desde o PAN de alguns anos atrás, quando destruíram parte do autódromo para dar lugar às instalações de ginásios de esportes, pistas de ciclismos, etc.

Pois bem, é uma praça de automobilismo que deixa de existir e, apesar das promessas da construção de uma nova numa outra área, até agora nada foi concretizado e tudo deve se perder no vazio das promessas.

O vídeo abaixo é inédito e foi feito pelo Alessandro Neri mostrando um pouco do passado desta pista que abrigou a Formula 1 por alguns anos e as imagens mostram os testes de pneus oficiais da F1 do dia 12 de fevereiro de 1989, um ano depois do Senna  ser campeão mundial.

Senna , Prost e Ron Dennis em briefing da equipe Maclaren. Ayrton Senna concede uma entrevista para o programa "Clube do Irmão Camioneiro" bem humorada quando Senna fala sobre sua experiência, de, também,  ter dirigido um caminhão em sua fazenda.

As imagens são até emocionantes, nos remota numa época em que tínhamos representantes dignos na formula 1 e que eram estrelas e movimentaram e centralizavam a maior categoria de automobilismo do mundo.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

NOTÍCIA MUITO TRISTE - MORREU CELSO BLUES BOY

Morreu hoje um dos maiores guitarristas brasileiros, o carioca Celso Blues Boy.

Guitarrista de Blues e muito respeitado fora do Brasil, o Celso tinha o dom dos melhores guitarristas do Delta do Mississipi, com uma técnica refinadíssima e solos bem colocados despertou a atenção do Mestre do Blues BB King.
No show realizado no Hotel Nacional no Rio de Janeiro, BB King convidou Celso para subir ao palco e tocar com a sua famosa guitarra "Lucille" , uma atitude inédita até então. Por aí dá-se para ver o quanto o Celso era respeitado pelo mestre do Blues. 
O Celso foi um dos primeiros guitarristas que rompeu com estas frescuras de que não se podia fazer Blues/rock cantado em português.
Eu costumava dizer que se ele tivesse nascido americano ou inglês seria cultuado como um dos maiores guitarristas do mundo. 
Tive o prazer de conviver com ele aqui em Brasília que era um dos lugares que ele mais tocava, vindo aqui uma 5 vezes por ano. 
No vídeo abaixo, realizado em Pirenópolis/GO, com a participação do meu sobrinho Janari que era quem o acompanhava na batera juntamente com outros músicos aqui da cidade quando ele vinha tocar na região. 
Que descanse em paz.



Abaixo o vídeo realizado no tetrado do Hotel Nacional no Rio de Janeiro em que BB King oferece sua guitarra para o Celso dar uns solos.



Roubei este vídeo do Rodrigo Mattar. É lá na praia da Macumba no Rio de Janeiro de um programa, se não me engano, da Rede Globo chamado Mixto Quente. É uma aula de Rock and Roll com a galera praiana pulando o tempo todo. Aumenta que isto aí é rock and roll.

domingo, 5 de agosto de 2012

GRANDE PRÊMIO BRASIL DE FORMULA 1 DE 1987 - A MINHA CORRIDA DO TERROR

Assisti a dois GPs de Formula 1 aqui no Brasil. O primeiro, foi em 1974 na inauguração do autódromo Internacional Nelson Piquet aqui em Brasília. Já contei uma pequena história. Quem quiser conhecer é só acessar AQUI.

O outro foi em 1987, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Na época, eu e o meu irmão Luis, participamos de uma excursão que saiu às 7h da noite de sexta feira e chegamos lá pela manhã de sábado e retornamos no sábado as 7h da noite com chegada em Brasília no domingo pela manhã, sem direito a dormir nestes mais de dois dias de viagem.
Mas depois deste GP do Rio, confesso, que nunca mais tive corágem de assistir um GP de Formula 1 aqui no Brasil.
No sábado, quando chegamos lá na praia de Copacabana, já começou o terror de como seria a nossa empreitada narrada pelos companheiros que conhecemos no ônibus da excursão.
Tínhamos que chegar lá no autódromo ainda no sábado pela noite para pegarmos o melhor lugar lá na arquibancada que era na parte superior, porque, senão, arcaríamos com as consequências de quem chegasse depois.
Às 10h da noite chegamos ao autódromo e já fomos para a fila para esperarmos a hora de abertura dos portões.
Haviam várias filas, acredito que mais de 20 enormes filas para a entrada no autódromo e todos nós sentamos no chão esperando que o dia amanhecesse para, às 7h ou 8h da manhã, quando abrissem os portões, nos adentrarmos para ficarmos lá na parte de cima da arquibancada.
Quando deu meia noite surgiu a notícia de que os portões seriam abertos e todo mundo se levantou e se espremeram para a entrada para as arquibancadas, o que acabou não aconteceu. Mas aconteceu uma guerra de garrafas. Um verdadeiro terror!!! As garrafas voavam de um lugar para outro sem destino certo, e nós ficávamos com as mãos nas cabeças com medo de que alguma pudesse nos atingir.
Isto durou uns vinte minutos, mas parecia uma eternidade, pois quando a gente menos esperava, poderia acontecer tudo novamente.
Ficamos praticamente em pé até bem cedindo quando abriram os portões.
Saímos apressados para as arquibancadas e parecia um bando de gados correndo para adentrar um pasto verde e se alimentarem. Conseguimos ficar na tão desejada parte superior da arquibancada e aí vimos o porque de todo o sacrifício para ficarmos no melhor lugar.
Ali era a arquibancada da muvuca, o setor, acredito, com ingressos mais baratos.
Os muvuqueiros levavam um verdadeiro arsenal de tudo que é tipo de porcarias que pudessem juntar como: tomates podres, laranjas, bananas, etc, e sacos que eles enchiam de urinas que eram recolhidas ali mesmo ao vivo e a cores e depois as atiravam no pessoal que chegavam mais tarde, uma verdadeira artilharia saindo de tudo que é canto para cima dos que tentavam chegar na parte superior da arquibancada.
Lembro-me que teve um daqueles japoneses (japoneses mesmos) que chegou com o amigo todo equipado, com bonezinho da formula 1 e máquinas de fotografias modernas.
Havia um líder da artilharia e ele comandava os outros de quando deveriam dar início ao ataque.
Até que o líder gritou em voz microfônica bem alta para os japoneses: "aí bonitões, tem um lugarzinho bem aqui para vocês!!! subam até aqui! Aí os ingênuos japoneses fizeram sinal de positivo e quando eles chegaram no meio da arquibancada, o líder deu sinal do início do ataque e saiu tiros de tudo que é canto da arquibancada: tomates podres, laranjas podres, chuchu, melancia, e sacos de urinas, saíram da esquerda, da direita, de cima, de baixo, tudo em direção aos coitados dos japoneses. Os caras ficaram ensopados destas porcarias fedorentas e cheios de hematomas. (imagina o que eles não pensaram no que estava acontecendo! Já tínhamos fama de selvagens e subdesenvolvidos, e ali era a confirmação de tudo isto para eles).
Após a corrida, esperamos a muvuca acabar e os baderneiros saíram, mas mesmo assim, quando estava pisando o último degrau da arquibancada levei uma porrada na nuca de alguns destes arsenais que me atingiu.
Comprei cinco garrafas de água mineral e me lavei para poder entrar no ônibus para voltarmos para casa.

MAS VAMOS À CORRIDA.

A grande estrela era o nosso ídolo Nelson Piquet e seu Williams Honda Turbo (se não me falha a memória, era o último ano dos motores turbos e já haviam alguns carros com motores aspirados que participaram desta prova).
O Nelson no Warmup parou o seu Williams em frente à nossa arquibancada e acelerou tudo e saiu rasgando os pneus deixando um marca enorme na pista. A galera foi ao delírio.
Esta mesma galera, durante a corrida, foi, indiretamente, a responsável por ele não ter conseguido vencer esta prova.

Piquet no GP Brasil de 1987

Quando ele passava na liderança em frente às arquibancadas, jogaram tantos papeis picados que eles entraram na entrada de ar dos radiadores laterais e os entupiram e ele teve que parar duas vezes para retirar toda aquela sujeira que deram superaquecimento.
Nisto, perdeu uma corrida certa e o narigudo Prost venceu mais uma vez com ele em segundo e Stefan Johansson na terceira colocação.
O Senna correu com o Lotus amarelo, mas não conseguiu concluir a prova, parando exatamente em frente à nossa arquibancada, ao lado dos boxes.
Mas antes da prova, tive o prazer de ver, ao vivo, um dos meus maiores ídolos, o argentino Juan Manuel Fângio dar algumas voltas com a Mercedes W196 S8 de 1955 e acelerando forte no autódromo de Jacarepaguá.
O vídeo, abaixo, mostra a formação do gride de largada, a volta de apresentação; a largada do GP; o momento em que Piquet entra nos boxes para retirar os papéis picados que estavam grudados na entrada de ar dos radiadores; o pit-stop de Nigel Mansell; a bandeirada de chegada para Alain Prost, vencedor da prova e o podium da prova, além do Fângio acelerando a Mercedes W196. 

Veja todo este raríssimo vídeo que vale a pena.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

COPA BRASIL DE 1970/71

Mais uma raríssima foto da Copa Brasil realizada em 70/71. No destaque o Furia-Lamborghini de Jaime Silva, a Alfa Romeo T 33 de Marivaldo Fernandes, o Avallone Chrysler (ou seria o McLaren-M8C Formisano!!!)

Mas o que fez sucesso mesmo foi a Ferrari 512S da dupla italiana Giampiero Moretti/Corrado Manfredini para as Mil Milhas de 1970, cujo desfile pelas ruas de São Paulo sobre um caminhão-reboque fez o trânsito literalmente parar. 

O Fúria FNM que participou da Copa Brasil de 1971
Abaixo, o filme "Roberto Carlos a 300 km por Hora" mostrando detalhadamente os principais participantes da copa.

Repare a lata de óleo da Shell. Quem se lembra!! Ela era de papelão e com as tampas de metal. Tinha aaté um abridor ou furador de lata.